Entenda relações de Trustee e Banvox, liquidadas pelo BC, com caso Master
As empresas financeiras Trustee e Banvox, liquidadas hoje pelo BC (Banco Central), são apontadas em investigações da PF (Polícia Federal) por suspeitas operações irregulares em transações de recursos ligados a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e envolvimento em movimentações de recursos do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Mensagens encontradas pela PF no celular de um ex-diretor da Trustee indicaram o uso de fundos e manobras contábeis para movimentar e ocultar dinheiro ligado a Daniel Vorcaro. O relatório reuniu conversas entre Artur Martins de Figueiredo, então diretor da Trustee, e outra pessoa apontada como intermediária de Vorcaro, em diálogos anteriores à liquidação do Banco Master.
Policiais federais afirmaram que as conversas apontavam uma "estrutura organizada e sofisticada" para movimentação e ocultação de recursos, com Vorcaro como beneficiário final . O material foi produzido a partir de dados extraídos do celular apreendido de Figueiredo e compartilhado com investigações sobre suspeitas envolvendo operações do Master e fundos na região da Faria Lima, em São Paulo.
Trustee e Banvox apareceram em inquérito que investigou a infiltração do PCC no mercado financeiro por meio de fintechs e fundos de investimento. Na Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025, a Polícia Federal apurou o uso do setor de combustíveis e de empresas financeiras para lavar dinheiro, em um esquema que, segundo as autoridades, envolvia reinvestimento em fundos controlados pela organização criminosa.
Em agosto de 2025, a Trustee renunciou à administração do fundo Olimpia, citado nas investigações da Carbono Oculto por suspeita de ter sido usado para lavagem de dinheiro. A Trustee informou que deixou de ter ligação com todos os fundos citados na investigação e atribuiu a decisão a uma avaliação interna de compliance. À época, o Olimpia tinha patrimônio líquido de cerca de R$ 86 milhões e apenas dois cotistas.
Defesa de Daniel Vorcaro nega irregularidades e diz que não há prova ou acusação formal que sustente as conclusões sugeridas no relatório. Em nota, os advogados afirmaram que o material citado é sigiloso, estaria fora de contexto e não é integralmente conhecido pela defesa, que diz colaborar com as autoridades.
Em nota, as defesas da Trustee DTVM e do ex-diretor Artur Figueiredo afirmaram que não tiveram acesso às mensagens citadas no relatório da PF. Ainda assim, os advogados dizem em nota conjunta que as menções no relatório da PF se referem apenas a cumprimento de ordens de clientes "não havendo, portanto, nada de ilícito".
Embora a Trustee não tenha tido acesso às mensagens citadas nos autos, a menção trazida no relatório da Polícia Federal se refere tão somente ao cumprimento de ordens dos beneficiários dos fundos, prática corriqueira do mercado de capitais, não havendo, portanto, nada de ilícito reportado na decisão judicial. Não foi realizado nenhum ato societário ou na administração do fundo que não seja permitido pelo regulamento. Nota divulgada pelo advogado Hugo Leonardo, que defende a Trustee DTVM e Artur Figueiredo
Banvox DTVM era ligada a Mauricio Quadrado, ex-sócio do Banco Master.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.