Um em cada 5 adolescentes no Brasil sofre abuso sexual na internet
A pesquisa da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) entrevistou, entre 2020 e 2025, 21 mil adolescentes desta faixa etária em 21 países do Sudeste da Europa e de diferentes regiões da Ásia, da África e da América Latina.
A média global de menores que reportaram ter sido vítimas de pelo menos uma forma de exploração ou abuso sexual relacionado ao uso da tecnologia nos doze meses anteriores é a mesma da brasileira (18%). É o equivalente a dizer que estimados 20 milhões de adolescentes são vitimizados anualmente no planeta.
As formas de abuso e exploração sexual mais reportadas, no caso brasileiro, foram a exposição indesejada a conteúdo sexual na internet (13,7% dos entrevistados); pedidos para falar sobre atos sexuais ou enviar imagens do próprio corpo (10,5%) e ofertas de dinheiro ou presentes em troca de imagens ou encontros sexuais (5,3%).
Os jogos online foram apontados como o segundo ambiente virtual onde mais acontecem este tipo de violências, tanto no caso brasileiro (12%) quanto na média global (14%). Os canais próprios para mensagens diretas são frequentemente citados como o instrumento usado para cometer abusos.
São ainda contabilizados pelo levantamento do Unicef os abusos cometidos pessoalmente, como na escola ou espaços públicos, depois de vítima e perpetrador terem interagido na internet. Este foi o caso de 18% dos adolescentes brasileiros entrevistados.
Os responsáveis pelos abusos frequentemente exercem pressão sobre as vítimas. Segundo o Unicef, as características, funções e design das plataformas criam as condições para explorar a confiança dos menores de idade. "Muitas vezes, tudo começa sem qualquer aviso", escrevem os autores da pesquisa. "Uma conversa se transforma em coerção, e a coerção se transforma em uma armadilha."
A falta de conhecimento sobre quais autoridades procurar e o sentimento de vergonha são os dois fatores que mais dificultam, tanto no Brasil quanto na média global, que os afetados procurem ajuda. Ao todo, 41% dos entrevistados ao redor do mundo não contaram a ninguém sobre a experiência de violência sexual. Menos de 1% dos casos foram reportados às autoridades.
A maioria (55%) dos casos reportados no Brasil ao Unicef foi perpetrada por pessoas já conhecidas das vítimas, contra 20% de desconhecidos (também estes percentuais se alinham à média global). Houve mais registros de abusos cometidos por menores de idade (35%) do que por adultos (27%).
Em 25% dos casos, os entrevistados não souberam informar quem estava por trás de perfis usados para cometer as violências online. "Você começa a conversar no Facebook com seus amigos e, de repente, chega uma solicitação de mensagem com uma foto de uma parte íntima de sabe-se lá quem, convidando você a fazer coisas obscenas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.