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Ciência

Expedição científica coleta dezenas de espécies possivelmente novas na Amazônia

Galileu ·
Expedição científica coleta dezenas de espécies possivelmente novas na Amazônia

Apoiado em uma pedra e com as botas imersas em um riacho tingido de vermelho pela decomposição de matéria orgânica da floresta, o herpetólogo Taran Grant esforçava-se para manter o silêncio absoluto ao seu redor, em meio a uma mata fechada, sob a mais completa escuridão.

Objetivo: registrar o canto de um pequeno sapo, camuflado entre rochas à beira d’água, cuja projeção vocal surpreendia pelo descompasso com o tamanho diminuto do animal.

Os únicos referenciais visuais na penumbra total eram os minúsculos pontos de luz vermelha no gravador portátil de Grant e os longínquos feixes de luz branca das lanternas de outros pesquisadores, que também realizavam coletas de espécimes ao longo do curso d’água.

“A quantidade de musgo sobre as pedras, o riacho e a fauna não têm nada a ver com a Amazônia lá embaixo”, observou o herpetólogo Taran Grant, da USP André Dib/Agência FAPESP A paisagem do riacho de águas avermelhadas, visitada praticamente todos os dias pela equipe de pesquisa, era uma das mais exuberantes e destoava completamente do cenário que cercava o campo-base da expedição, a 1.260 metros de altitude, no topo de um tepui – como são chamadas as montanhas de topo plano típicas da região, no norte do Amazonas.

“Essa paisagem é totalmente diferente das que vimos até agora e se assemelha à dos Andes”, comparou Grant, apontando para os paredões rochosos que se projetam sobre o curso d’água.

“A quantidade de musgo sobre as pedras, o riacho e a fauna não têm nada a ver com a Amazônia lá embaixo.

Geograficamente estamos na Amazônia, mas em termos biogeográficos isso aqui é o Pantepui”, sublinhou o pesquisador, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP).

Pantepui é como os cientistas se referem ao conjunto dessas formações montanhosas que pontuam o Escudo das Guianas, entre o sul da Venezuela, norte do Brasil e oeste da Guiana.

Alcançar um trecho de floresta densa como essa, conhecida como mata nebular – um tipo de floresta úmida de altitude, constantemente envolvida por neblina ou nuvens baixas e com cheiro de terra molhada –, era o principal objetivo dos cientistas desde o desembarque na montanha, em 24 de agosto, uma vez que a diversidade de animais nas porções abertas era sabidamente mais baixa.

O acampamento-base foi montado no topo de um dos platôs mais ao sul da Serra do Aracá, localizado a 220 quilômetros de Barcelos (AM) e com 210 quilômetros quadrados de área.

Gráfico detalha expedição de pesquisadores financiados pela FAPESP ao longo da Amazônia Reprodução Logo no primeiro dia, os pesquisadores constataram que a geografia hostil de arenito extremamente pedregoso dificultava a locomoção e a abertura de picadas até o ponto da floresta nebular.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.

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