Corte na produção é o principal entrave para o Tratado Global contra a Poluição Plástica, apontam cientistas
“Se seguirmos apenas com a gestão de resíduos, o problema continua o mesmo. A ciência diz que assim nunca equacionaremos a questão", disse Richard Thompson, da Universidade de Plymouth (Reino Unido) ( imagem: Shutterstock )
O tema foi destaque no encerramento da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos. Evento apoiado pela FAPESP reuniu especialistas na Unicamp para debater ações baseadas em evidências
O tema foi destaque no encerramento da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos. Evento apoiado pela FAPESP reuniu especialistas na Unicamp para debater ações baseadas em evidências
“Se seguirmos apenas com a gestão de resíduos, o problema continua o mesmo. A ciência diz que assim nunca equacionaremos a questão", disse Richard Thompson, da Universidade de Plymouth (Reino Unido) ( imagem: Shutterstock )
Agência FAPESP * – Debates sobre os desafios e as iniciativas de combate à poluição pautaram o encerramento da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos ( ESPCA em Microplásticos ), no dia 11 de setembro, em Campinas (SP). Ao longo de duas semanas, o evento reuniu 125 jovens pesquisadores e os maiores especialistas do globo no assunto. No centro das discussões finais, destacou-se a estagnação do Tratado Global contra a Poluição Plástica. O acordo, considerado vital para o meio ambiente, foi firmado por 175 nações – incluindo o Brasil – durante a Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente de 2022, mas atualmente enfrenta fortes impasses.
Na primeira mesa do simpósio de encerramento, Martin Wagner, cientista da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, e Richard Thompson, da Universidade de Plymouth (Reino Unido), pioneiro na pesquisa na área e no uso do termo “microplástico”, compartilharam justamente quais são os pontos de discórdia que separam os cerca de dez países envolvidos na produção de petróleo – que se opõem a medidas voltadas à redução da produção, defendendo o foco apenas na gestão de resíduos – e, de outro lado, a chamada Coalizão de Alta Ambição, formada por 66 países – que segue defendendo medidas relacionadas a todo o ciclo de vida do plástico. No meio do caminho, figuram cerca de cem nações, dentre elas o Brasil, segundo os participantes da ESPCA que têm acompanhado as negociações.
O impasse central é, justamente, a redução da produção a níveis sustentáveis, já que as evidências científicas indicam que é preciso definir as aplicações essenciais dos materiais plásticos e, na outra ponta, quais são problemáticas ou evitáveis. “Se seguirmos apenas com a gestão de resíduos, o problema continua o mesmo. A ciência diz que assim nunca equacionaremos a questão. O que precisamos é pensar sobre o que estamos produzindo, e produzir melhor”, atestou Thompson.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.