Sistema conecta geradores de resíduos industriais a artesãos da periferia
Roseli Andrion | Pesquisa para Inovação – Uniformes corporativos, lonas publicitárias e tecidos técnicos industriais quase sempre terminam seus “ciclos de vida” em aterros sanitários, mesmo quando ainda apresentam boas condições de uso. Para mudar esse cenário, a startup paulista Ciclou desenvolveu um sistema que permite transformar esse passivo ambiental em oportunidade econômica ao conectar grandes geradores de resíduos – como indústrias e corporações de setores como eventos e infraestrutura – com artesãos da periferia, uma rede descentralizada de costureiros, designers e artistas locais que frequentemente trabalham na informalidade e buscam inclusão produtiva. A solução ataca um dos maiores desafios da economia circular: não apenas coletar o resíduo, mas encontrar a pessoa certa para transformá-lo.
Na prática, essa engrenagem se materializa em iniciativas como a parceria firmada com a multinacional de infraestrutura Acciona, responsável pelas obras da linha 6-Laranja do metrô de São Paulo. Em vez de descartar os antigos fardamentos técnicos de suas frentes de obra, a corporação destinou esse passivo têxtil à startup. O material foi entregue a uma equipe de seis artesãos e costureiros da rede da Ciclou, que trabalhaou em conjunto com uma organização não governamental (ONG) paulistana de acolhimento social. Juntos, eles higienizaram, cortaram e ressignificaram os tecidos de alta resistência, transformando-os em 50 mochilas afetivas e personalizadas, que retornaram para a própria concessionária para serem sorteadas entre os colaboradores durante a Semana do Meio Ambiente, fechando o ciclo do resíduo com impacto social e ambiental mensurável.
A Ciclou nasceu em 2021 com o objetivo de promover a economia circular. Inicialmente, a escolha dos artesãos pela empresa era feita de forma manual, baseada na memória da equipe. “No começo desse projeto, lembrávamos das características de cada um e decidíamos quem receberia o projeto”, relata ao Pesquisa para Inovação a engenheira de produção mecânica Amanda Martins , fundadora da Ciclou. “Logo, porém, percebemos que esse modelo não permitia escalar.”
Para resolver esse gargalo, os pesquisadores da empresa desenvolveram, com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas ( PIPE ), da FAPESP, um algoritmo que analisa a realidade de cada artesão. O sistema considera variáveis como espaço físico disponível, maquinário utilizado e afinidade técnica com diferentes tipos de textura. Essa abordagem é fundamental, pois um artesão ou artesã que trabalha na mesa da sala com tecidos leves de algodão, por exemplo, não teria condições de manipular lonas pesadas ou náilon industrial, materiais que demandariam agulhas especiais e maior esforço motor.
Para validar a tecnologia, a equipe estruturou um Produto Mínimo Viável (MVP, em inglês), uma versão simplificada da solução voltada a testar a viabilidade do negócio em ambiente controlado. Com ele, foi possível mapear a rotina e identificar as habilidades específicas dos profissionais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.