EUA e China divergem sobre futuro e controle da inteligência artificial
No último fim de semana, enquanto o mundo se preocupava com a possibilidade de a inteligência artificial descontrolada dizimar a humanidade, os líderes dos Estados Unidos e da China articularam suas visões para essa tecnologia que definirá a era.
Eles vinham de lados quase opostos do espectro político.
Ignorando os apelos de cientistas e executivos de IA da Anthropic, OpenAI e Google para desacelerar o desenvolvimento, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o mais importante era manter o país na liderança contra a China na crescente corrida pelas superpotências da IA.
Leia Mais EUA e China vão conversar sobre IA em setembro, dizem fontes de agência Restrições dos EUA não freiam avanço de IAs chinesas no mercado americano EUA acusam empresa chinesa de plagiar IA americana “Estamos liderando a China em IA… e, francamente, quero que continue assim, porque quem vence na IA, vence”, disse ele no sábado.
No domingo, o líder chinês Xi Jinping fez seu próprio apelo por mais cooperação internacional.
Os países devem “incentivar o código aberto, a abertura, a colaboração e o compartilhamento”, disse ele em um discurso na Índia para líderes do Sul Global, no qual reiterou uma proposta para um pacto global de governança de IA – embora não tenha dado detalhes sobre como seria essa estrutura.
A justaposição das mensagens de Trump e Xi ressalta a falta de consenso e o profundo déficit de confiança entre as duas superpotências na corrida de alto risco para dominar a IA.
Os EUA parecem estar cada vez mais instrumentalizando seu domínio no setor, considerando-o um ativo estratégico a ser protegido e exportado para países amigos, enquanto a China, ficando para trás na corrida, propõe um modelo mais aberto.
A inteligência artificial terá grande destaque na aguardada cúpula entre Trump e Xi, que acontecerá em duas semanas em Washington.
Em seu encontro em maio, em Pequim, os dois discutiram diretrizes para a IA, mas obtiveram resultados limitados.
Na semana passada, o Ministério do Comércio da China afirmou que os dois líderes concordaram em estabelecer um diálogo intergovernamental sobre IA.
No entanto, dada a ampla rivalidade geopolítica entre eles, especialistas têm poucas expectativas de avanços significativos.
Qual é o tamanho da ameaça representada pela China? A inteligência artificial chinesa está atrás de seus concorrentes americanos há anos.
Isso se deve, em parte, aos controles tecnológicos dos EUA que limitam o acesso das empresas chinesas a processadores de IA avançados — essenciais para o treinamento de modelos de IA cada vez mais complexos.
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