No JN, Flávio erra sobre 'Dark Horse' e nega aquecimento global
O candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) participou de uma sabatina do Jornal Nacional , da Globo, nesta sexta-feira (28).
Durante a entrevista, ele errou ao dizer que as informações sobre o filme "Dark Horse" são públicas e ao comentar a medalha dada ao Capitão Adriano. Flávio negou que o ser humano seja responsável pelo aquecimento global.
As informações que importam [sobre o filme 'Dark Horse'] já estão públicas
FALSO. Não foi tornada pública nenhuma prestação de contas sobre a cinebiografia de Jair Bolsonaro para a qual Flávio pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro . Um inquérito da Polícia Civil de SP apura se recursos para o filme foram desviados de um contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pela realização do filme 'Dark Horse'. Uma investigação da PF também apura se emendas parlamentares foram usadas para custear o filme.
As informações que foram publicadas pela imprensa sobre o custo da produção e seu financiamento partem de uma perícia particular contratada pela própria defesa da produtora no âmbito do inquérito da Polícia Civil de São Paulo. O laudo sustenta que o filme foi bancado por recursos privados. Essa perícia, porém, não mapeou a origem dos recursos repassados pelo fundo Havengate, com sede nos EUA, e para onde teria sido destinado o dinheiro de Vorcaro para a produção , como disse o perito ao jornal O Globo ( aqui ). Um dos sócios do fundo é Paulo Calixto , advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro.
Essa homenagem [ao Adriano da Nóbrega] foi feita há mais de 20 anos (....), não tinha nada contra ele nesta época. Ele estava sendo falsamente acusado de ter cometido homicídio e, na verdade, foi uma troca de tiros com um traficante.
ENGANOSO. Ao contrário do que disse o candidato, Adriano da Nóbrega já era investigado quando foi homenageado. Ele foi congratulado por Flávio com a Medalha Tiradentes em 2005 . Na época, ele estava preso acusado do assassinato de Leandro dos Santos Silva, um guardador de carros ( aqui ), que foi morto um dia depois de denunciar que havia sido torturado e extorquido por um grupo de policiais comandados por Adriano.
O crime aconteceu em novembro de 2003 em Parada de Lucas, na zona norte do Rio. Na ocasião, oito agentes do 16º BPM (Olaria) foram presos em flagrante, entre eles Adriano. De acordo com a investigação, após matarem o guardador, os policiais alteraram a cena do crime para forjar um confronto ( aqui ). Adriano chegou a ser condenado em primeira instância em 2005, mas o júri foi anulado posteriormente . Em novo julgamento, em janeiro de 2007, ele foi absolvido ( aqui ).
Não há evidências de que Leandro dos Santos Silva fosse um traficante, como afirmou o candidato. Silva era funcionário da CET-Rio .
Apontado como um dos maiores matadores de aluguel do Rio, Adriano nunca foi condenado por nenhum homicídio. Após a sua morte, em 2020, uma escuta de uma conversa da irmã dele levantou suspeitas sobre a atuação da Justiça em casos envolvendo o miliciano. Tatiana Magalhães da Nóbrega disse que "o jogo do bicho pagou a absolvição dele" ( aqui ).
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