RD do Congo registra mais de três mil mortes por surto de ebola neste ano
A epidemia de ebola na República Democrática do Congo, a mais letal já registrada no país da África Central, deixou mais de três mil mortos, segundo os dados mais recentes divulgados pelas autoridades congolesas nesta quarta-feira (02/09).
O surto, declarado oficialmente em meados de maio , avança em áreas instáveis do leste e nordeste do país. Até o momento, o vírus causou um total de 3.007 mortes e infectou 6.186 pessoas, com uma taxa de letalidade de 48,6%, segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) congolês. Cerca de 1.409 pessoas se recuperaram da doença.
A doença, causada pelo vírus ebola e transmitido pelo contato com fluidos corporais, provoca febre hemorrágica e já matou mais de 15 mil pessoas na África nos últimos 50 anos. A pior epidemia anterior na República Democrática do Congo deixou quase 2,3 mil mortos entre os cerca de 3,5 mil casos registrados de 2018 a 2020.
Originário da remota província de Ituri, no nordeste do país, o surto atual é causado pela variante Bundibugyo, para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados.
O vírus se espalhou por seis províncias, afetando áreas onde a presença do Estado é precária e grupos armados mantêm uma situação de insegurança constante.
A resposta sanitária, prejudicada pela escassez de recursos, está sobrecarregada pelo aumento do número de casos e enfrenta a desconfiança de algumas comunidades.
Vários tratamentos e vacinas contra a variante Bundibugyo estão sendo testados atualmente. As vacinas aprovadas são eficazes apenas contra a variante Zaire, responsável pelos maiores surtos de ebola conhecidos até hoje.
Equipe sanitária trabalha na contenção de surto de ebola na República Democrática do Congo Cruz Vermelha
Enquanto aguarda o desenvolvimento de uma vacina específica contra a Bundibugyo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou a realização de um ensaio clínico de fase 3 com a vacina Ervebo, utilizada contra a variante Zaire.
Especialistas da OMS ainda não sabem se a Ervebo protege seres humanos contra a Bundibugyo, mas dados preliminares sugerem que ela pode oferecer algum nível de proteção.
Uma remessa de 16.250 doses, destinada principalmente a profissionais de saúde e equipes da linha de frente, chegou à RDC no final de agosto. A vacinação começou logo em seguida em Kisangani, capital da província de Tshopo, no nordeste do país.
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