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Nunca ouvimos tanto: o poder da escuta na era do ruído

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Nunca ouvimos tanto: o poder da escuta na era do ruído

Nunca ouvimos tanto. A difusão de conteúdo em áudio segue em alta na mídia — o quintalzinho que cabe a este espaço. Podcasts, audiolivros, serviços de música por streaming e o rádio (o tiozão de todos os meios) crescem em audiência no país.

Nas eleições passadas e também nesta, podcasts se tornaram um dos principais canais que políticos adotaram para divulgar suas plataformas de campanha. Não por acaso, cada vez mais pessoas escutam podcasts dos mais variados formatos, gêneros e durações ( o Brasil figura entre os maiores mercados no mundo ). Alguns programas pautam o debate público, servem como fonte primária de informação e, de muitas formas, se tornaram espaços consolidados de mídia.

Também ouvimos música como nunca antes . Serviços de streaming são um grande caso de negócios na internet. Os iPods, aliás, vivem um revival entre os entusiastas de slow tech - e entre jovens, claro . Foi o iTunes (com a venda avulsa de MP3) o precursor do modelo de consumo de música paga que conseguiu frear a onda de pirataria emergente no começo deste século e que, diziam, implicaria o fim da audiência das rádios.

Houve quem condenasse o rádio à morte com a chegada da televisão há algumas décadas. Houve também quem dissesse que o rádio não morreria, mas que viraria podcast. Não aconteceu nem uma coisa nem outra. O rádio segue firme como meio de massa. No Brasil, 79% das pessoas escutam rádio . Temos redes de alcance nacional e também rádios comunitárias que servem como noticiário cotidiano em cidades onde, com frequência (sem trocadilhos), são a única fonte jornalística da população local, além da distração diária durante o trânsito, trabalho e afazeres domésticos.

As rádios, pelo senso de proximidade e pelo poder interativo, criam um vínculo com os ouvintes difícil de replicar em outros meios. Quando comecei minha carreira na indústria de comunicação, fui trabalhar com internet e lembro das primeiras experiências online do que chamávamos de jornalismo colaborativo. Não conseguia evitar a ideia de que sites vendiam como novidade algo que as rádios já faziam há décadas. Em pequenas cidades na América Latina, rádios são as redes sociais que congregam a população em torno de temas de interesse comum.

No Brasil, a transmissão de jogos de futebol ao vivo com a câmera virada para o rosto do locutor (não para o que se passa no campo) está entre os picos de audiência nos canais das emissoras no YouTube. O hábito cresceu de tal forma que algumas rádios viraram canais digitais fora do dial tradicional. A expansão para além das caixinhas alimentadas por antenas como as que tínhamos em nossas casas, bolsos e carros está acontecendo em dispositivos e plataformas diferentes, o que revela mais a ampliação de alcance do formato do que a diluição de sua relevância.

É possível que a vocação multitarefa do áudio justifique a popularidade. O som tocando no fundo enquanto fazemos outra coisa é uma espécie de companhia e a relação de consumo de informação e entretenimento que melhor se ajusta de forma sobreposta a outras atividades.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.

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