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A onda de protestos que conseguiu barrar a primeira fazenda de polvos do mundo

BBC News Brasil ·
A onda de protestos que conseguiu barrar a primeira fazenda de polvos do mundo

A sala era pouco iluminada e silenciosa — exceto pelo som da água, agitada pelos polvos que se moviam lentamente uns sobre os outros nas piscinas internas.

No centro de testes da primeira fazenda comercial de polvos do mundo, na Espanha, essa cena tranquila era uma prova, segundo me disseram as autoridades da gigante empresa de frutos do mar Nueva Pescanova em 2022, de que os animais estavam perfeitamente felizes em cativeiro e que, portanto, eram adequados para criação em larga escala.

Antes de irmos embora, o diretor do centro fez carinho na cabeça de um deles.

Apesar da aparente calma, o projeto estava no epicentro de uma grande polêmica internacional.

A decisão veio após cinco anos de batalha judicial com a autoridade portuária de Las Palmas, em Gran Canaria, em torno do possível impacto ambiental da fazenda, que seria construída no local com um orçamento de 65 milhões de euros (cerca de 400 milhões de reais).

Em comunicado, a Nueva Pescanova afirmou que os planos foram interrompidos "exclusivamente por considerações comerciais e regulatórias", acrescentando que não descarta retomar os esforços em outro lugar no futuro.

Os ativistas, que fizeram uma comemoração em Las Palmas após a notícia, veem o resultado não apenas como uma vitória histórica, mas como um possível primeiro passo para impedir que fazendas comerciais de polvos se estabeleçam em outras partes do mundo.

Nos últimos dois anos, os estados de Washington e Califórnia, nos EUA, proibiram preventivamente a criação de polvos, enquanto Espanha, México e Chile apresentaram projetos de lei sobre o assunto.

O potencial econômico da iniciativa da Nueva Pescanova para a criação de polvos era enorme.

O comércio mundial de carne de polvo fresca e refrigerada foi estimado em 198 milhões de dólares em 2024.

No entanto, desde o início, o projeto já parecia condenado ao fracasso.

Ainda que a empresa fosse uma veterana do setor espanhol de frutos do mar, seu plano de produzir 3 mil toneladas de carne de polvo por ano surgiu logo após o lançamento de Professor Polvo (My Octopus Teacher), documentário da Netflix que se tornou um sucesso e ganhou o Oscar.

Nele, a relação singular entre um documentarista e uma fêmea de polvo colocou em evidência a inteligência da espécie, fazendo com que a ideia de produzi-los em massa em cativeiro se tornasse muito desagradável para muitas pessoas.

Nas instalações em Las Palmas, cerca de 1 milhão de polvos — criaturas solitárias e noturnas — teriam que compartilhar tanques e permanecer sob luz constante, antes de serem sacrificados por um método de congelamento a -3 °C.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bbc.com — o conteúdo pertence a BBC News Brasil.

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