Delação de Mansur, da Reag, tira o sono da Faria Lima
A assinatura da colaboração premiada de João Carlos Mansur, fundador da Reag, começou a produzir um efeito que não aparece nos autos: tirou o sono de uma parcela da Faria Lima.
Entre gestores, banqueiros e executivos que acompanharam a ascensão da gestora, a avaliação que circula desde quarta-feira é de que o acordo pode representar muito mais do que um novo capítulo do escândalo do Banco Master.
Há quem já fale, nos bastidores, em uma Faria Lima antes e outra depois da delação de Mansur.
Existem alguns motivos para o temor.
A Procuradoria-Geral da República assinou nesta quarta-feira, 2, o acordo de colaboração e encaminhou o material ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal , que ainda terá de homologá-lo.
Mansur apresentou 17 frentes de colaboração e aceitou pagar cerca de 40 milhões de reais.
Mais importante: não entregou apenas relatos.
Segundo informações já conhecidas da investigação, apresentou documentos e se dispôs a mostrar o caminho percorrido pelo dinheiro em operações financeiras montadas nos últimos anos.
É justamente o perfil do delator que aumenta a ansiedade.
Mansur construiu a Reag dentro de um pedaço menos visível e extremamente sofisticado do mercado financeiro, estruturando e administrando fundos usados em operações de crédito, participações societárias e movimentações patrimoniais.
No auge, o grupo chegou a administrar centenas de bilhões de reais.
A Reag apareceu tanto na investigação do Master quanto na Carbono Oculto, operação que apura esquemas de lavagem de dinheiro e ligações de estruturas financeiras com o crime organizado.
Continua após a publicidade No caso do Master, investigadores consideraram as informações apresentadas por Mansur particularmente relevantes porque permitem avançar da descrição das operações para a identificação da origem, do percurso e dos beneficiários dos recursos.
A gestora administrou fundos utilizados em negócios relacionados a Daniel Vorcaro, e a expectativa é de que a documentação entregue permita reconstruir estruturas que até agora apareciam de maneira fragmentada nas investigações.
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