Vorcaro diz que delação envolveria ‘pessoas do núcleo do atual governo’
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou, em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que uma eventual colaboração premiada teria como foco denúncias de pessoas do “núcleo do atual governo” .
Segundo ele, os fatos envolveriam relações que estabeleceu para se proteger de ataques e episódios em que, na avaliação dele, foram ultrapassadas “linhas de moralidade” e “linhas de ilicitude”.
A declaração foi dada em resposta a uma pergunta do Ministério Público sobre os fatos que Vorcaro pretendia apresentar em uma colaboração.
O empresário afirmou que queria relatar o que considera ser a versão verdadeira dos acontecimentos.
“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo.” Daniel Vorcaro “Nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar”, completou o dono do Banco Master.
Ele não detalhou, nesse trecho do depoimento, quem seriam as pessoas citadas nem quais seriam os casos aos quais se referia.
Tentativas de colaboração Vorcaro disse que tenta apresentar sua versão dos fatos há meses.
Segundo o empresário, houve tentativas de reuniões com a Polícia Federal (PF) que não avançaram.
Ele afirmou que seus advogados não foram recebidos ou, quando foram, os encontros ocorreram apenas de maneira protocolar.
“Pedi diversas reuniões, não foram atendidas, não atenderam os advogados, quando atenderam os advogados, era simplesmente de maneira protocolar” Daniel Vorcaro O banqueiro também fez uma distinção entre a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da PF.
Segundo ele, integrantes da Procuradoria demonstraram disposição para ouvir suas informações, enquanto a PF teria adotado uma postura diferente.
Vorcaro afirmou ainda que tinha medo de tentar um novo acordo por causa das pessoas envolvidas no caso.
Entre os nomes mencionados por ele está o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Segundo o empresário, Andrei tinha uma relação anterior com o Master e participou de eventos ligados à instituição.
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