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Como criminosos usam aplicativos de relacionamento para roubar a biometria de usuários

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Como criminosos usam aplicativos de relacionamento para roubar a biometria de usuários

"Conversamos por vários dias, até que um dia ele me ligou sem avisar. Eu não atendi. Aí fui pesquisar o perfil dele com mais cuidado e vi que era fake, e na sequência já bloqueei", conta. Antes disso, uma foto enviada para visualização única já havia chamado sua atenção.

Ao compará-la com as imagens publicadas no perfil, ela percebeu diferenças. Depois de bloquear o contato, buscou as fotografias, descobriu que pertenciam ao filho de uma pessoa conhecida e estavam sendo usadas por alguém que se passava por ele. "Na verdade, ele queria muito marcar um encontro rápido, só falava sobre isso, não era uma conversa normal, parando para pensar".

Paula não sabe por que o homem insistia nas videochamadas nem o que pretendia fazer caso ela atendesse. Mas abordagens que começam em aplicativos de namoro e rapidamente migram para outras plataformas fazem parte da dinâmica observada em diferentes modalidades de fraude, segundo Juliana Cunha, diretora da SaferNet Brasil e especialista em violência de gênero facilitada pela tecnologia. "A saída do app para outra plataforma menos protetiva é a etapa principal de todo golpe", afirma.

Uma das preocupações envolve a captura de imagens do rosto. Segundo Cunha, dados biométricos podem ser explorados em fraudes para abertura ou tentativas de assumir o controle de contas bancárias que utilizam selfies como mecanismo de autenticação ou recuperação. Uma gravação obtida em uma videochamada, porém, não significa automaticamente que um criminoso conseguirá passar pelos sistemas de reconhecimento facial — uma das questões depende das tecnologias de verificação utilizadas.

Embora não haja estatísticas nacionais específicas sobre golpes que utilizam videochamadas em aplicativos de relacionamento, Cunha afirma que essas fraudes podem aparecer dentro de uma categoria mais ampla, a de estelionato por meio eletrônico. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que os registros desse tipo de crime cresceram 20,6% em relação ao ano anterior.*

"O que vemos na prática é que as mulheres são alvo preferencial dos golpes que exploram vínculo afetivo e violência de gênero. O criminoso explora essa vulnerabilidade com dinâmicas de confiança e de controle que recaem mais sobre elas.", afirma a especialista da Safernet.

A videochamada pode funcionar como uma etapa de coleta de informações. Durante a conversa, o criminoso pode gravar não apenas o rosto da vítima, mas também diferentes ângulos, expressões, movimentos e a própria voz. Esse material pode posteriormente ser combinado com outros dados pessoais em tentativas de fraude.

Segundo Juliano Maranhão, professor da Faculdade de Direito da USP e diretor do Legal Wings Institute, imagens frontais ajudam a reproduzir características do rosto, enquanto mudanças de ângulo, iluminação e expressão ampliam o material disponível. Movimentos como piscar, sorrir ou virar a cabeça também podem coincidir com ações solicitadas por alguns sistemas de prova de vida .

Isso não significa, porém, que atender a uma videochamada seja suficiente para permitir que alguém acesse uma conta bancária.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.

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