Secretário dos EUA ordena exclusão de registros de mortes por sarampo na Pensilvânia, diz agência
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O secretário de Saúde dos Estados Unidos , Robert F. Kennedy Jr. , pediu à nova diretora do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças, na sigla em inglês) que retirasse da contagem on-line de casos de sarampo da agência uma referência a duas mortes na Pensilvânia, após questionar se a doença havia contribuído para os óbitos, disseram três fontes a par da situação.
O pedido de Kennedy ocorreu depois que funcionários do CDC já haviam aceitado a classificação feita pelo estado, que vinculava as mortes ao sarampo, segundo uma autoridade da Pensilvânia.
Apesar disso, Erica Schwartz, recém-nomeada diretora do CDC, concordou com a determinação de Kennedy e a implementou sem objeções, afirmaram as três fontes a par do assunto, que falaram sob condição de anonimato.
A medida ocorreu após uma acalorada troca de acusações nas redes sociais entre Kennedy, ativista antivacina de longa data nomeado pelo presidente Donald Trump , e o governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, do Partido Democrata . Os dois acusaram um ao outro de politizar o surto na Pensilvânia, o mais recente estado a enfrentar um ressurgimento do sarampo desde que o governo Trump tomou posse.
Dados do CDC e de estados individualmente mostram que as taxas de vacinação vêm caindo , e muitas organizações médicas apontam o aumento da hesitação vacinal como uma das principais causas. Somente na Pensilvânia, o Departamento de Saúde estadual registrou 540 casos de sarampo neste ano.
Georges Benjamin, diretor-executivo da Associação Americana de Saúde Pública e ex-secretário de Saúde de Maryland, disse ser "algo sem precedentes" o CDC levantar publicamente dúvidas sobre as conclusões de departamentos estaduais e municipais de saúde, mesmo quando a agência busca mais informações.
"O secretário não deveria ter interferido no processo normal", disse Benjamin. "Ele tem uma agenda antivacina e está usando isso para colocá-la em prática."
Grace Davis Jamison, porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, que supervisiona o CDC, afirmou que a agência de saúde pública "solicitou os detalhes necessários para determinar se o sarampo causou ou contribuiu para as mortes". Ela citou relatos conflitantes de autoridades de saúde do condado e do estado sobre o que havia ocorrido. Jamison não comentou o papel de Kennedy ou de Schwartz na exclusão das mortes. Schwartz não respondeu a um pedido de comentário.
Há anos, Kennedy promove a ideia de que as vacinas são mais perigosas do que as doenças que previnem, apesar de décadas de evidências científicas mostrarem que elas salvam vidas. A vacina tríplice viral contra sarampo, caxumba e rubéola, administrada rotineiramente a crianças nos Estados Unidos, demonstrou oferecer 97% de proteção contra a infecção.
Como secretário de Saúde, Kennedy tem procurado minimizar o impacto do aumento dos casos de sarampo nos Estados Unidos, que agora estão no nível mais alto em mais de três décadas .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.