Sakamoto: Depoimento de Vorcaro em sala de Mendonça é manipulação eleitoral
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O ministro do STF André Mendonça usou o processo do caso Master como "arma eleitoral" ao tomar depoimento sigiloso do ex-banqueiro Daniel Vorcaro , que cumpre prisão preventiva, avaliou o colunista Leonardo Sakamoto no UOL News , do Canal UOL.
A discussão ocorreu após Vorcaro prestar depoimento sem a presença da Polícia Federal, o que irritou a Procuradoria-Geral da República . Para Sakamoto, o problema é o uso seletivo de depoimentos e vazamentos em um ambiente de polarização política.
Nós temos visto o ministro André Mendonça usar um processo de investigação como arma eleitoral. Isso é manipulação eleitoral. Se o Vorcaro tem algo contra qualquer um das pessoas que fazem parte deste ou de qualquer governo, que fale, que coloque. Eu vou entregar isso, isso, isso e isso no meu acordo. Vai pegar todo mundo. E não adianta ele falar: 'Vou entregar o Andrei, vou entregar a A, vou entregar B', e não entregar o Flávio Bolsonaro, e não entregar o Ciro Nogueira. Leonardo Sakamoto
Sakamoto disse que "dois errados não fazem um certo" e que a crise expõe um cenário em que nenhum lado da guerra interna do STF está correto, com autoridades atuando como atores do processo.
Da mesma forma como o ministro Alexandre de Moraes também está longe de ser vítima, ele é ator. Ele é ator do processo. (...) O problema é que na hora que chega isso no debate público, vira o bem contra o mal, escolha de um lado. Leonardo Sakamoto
Josias de Souza avaliou que Mendonça deu a Vorcaro um palco para que o ex-banqueiro transformasse a tentativa de delação em "espetáculo político", o que pode abrir caminho para pedidos futuros de anulação de provas no caso Master.
O André Mendonça, ministro relator do caso Master no Supremo, forneceu um palco para um espetáculo político do Daniel Vorcaro. (...) Na prática, transformou um depoimento num espetáculo político. (...) Preparou o terreno para que mais adiante ele próprio e os outros encrencados nessa investigação do caso Master possam arguir a nulidade de provas. Josias de Souza
O repórter Cézar Feitosa revelou que o depoimento não foi longo e que as transcrições têm cerca de 70 páginas. Segundo ele, Vorcaro citou nominalmente apenas o Diretor-Geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues .
Ele não cita ninguém mais nominalmente além de Andrei Rodrigues. (...) É uma mudança de estratégia da defesa de Daniel Vorcaro, que vê todas as fontes sendo queimadas e resolve também queimar as últimas fontes que restavam para ele. Cézar Feitosa
Sakamoto defendeu que, se Vorcaro pretende delatar, deveria "entregar tudo" para evitar contaminação do processo eleitoral. Para ele, o "grande teatro" em torno do caso não faz bem pra democracia.
Delatar, delata. Entrega tudo. (...) O que está acontecendo é vazamento seletivo e na frente disso está o ministro André Mendonça. (...) O que estamos vendo, esse grande teatro, não faz bem pra democracia. Leonardo Sakamoto
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