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O mercado norte-americano de mídia regional e as receitas extras (e relevantes) que entram nos cofres das franquias

Máquina do Esporte ·
O mercado norte-americano de mídia regional e as receitas extras (e relevantes) que entram nos cofres das franquias

A verdade é que existe um segundo nível de negociação: os direitos locais. Trata-se de algo muito relevante na composição do orçamento anual de muitas franquias não só da NBA, mas também da MLB e da NHL. Para comparar com a realidade brasileira, seria o mesmo que dizer que Corinthians, Palmeiras e São Paulo venderam os seus direitos para uma plataforma de streaming apenas na Grande São Paulo, enquanto o acordo nacional é com uma outra plataforma.

É bom deixar claro que a prioridade é sempre dos acordos nacionais, ou seja, caso o jogo esteja sendo exibido por um dos parceiros nacionais em uma janela que prevê exclusividade, este jogo não pode ser disponibilizado pelo parceiro local. Mas, se o jogo estiver em uma plataforma nacional em uma janela sem exclusividade, os parceiros locais de ambos os times, não só o mandante, podem exibir o jogo em seus mercados locais.

Este modelo de negócio nasceu na TV por assinatura e aos poucos vai também migrando para plataformas de streaming. O assunto voltou à tona recentemente, justamente porque o DAZN, que já tinha tentado entrar no mercado norte-americano por meio de conteúdos de nicho (como o boxe), está fazendo uma nova tentativa, justamente buscando estes acordos locais. Os mais recentes foram com Indiana Pacers e Minnesota Timberwolves, além do atual campeão New York Knicks. Ainda existe uma expectativa de que outras franquias, como Cleveland Cavaliers, San Antonio Spurs e Memphis Grizzlies, também estejam perto de fechar acordo com a plataforma de streaming, com garantias financeiras mínimas entre US$ 8 milhões e US$ 20 milhões por temporada.

Estes acordos locais têm muitas variáveis e podem ser diferentes, a depender do mercado local de cada franquia. Por exemplo, o território de “Home Television” do Indiana Pacers abriga não só o estado de Indiana, mas também estados vizinhos, como Kentucky, Iowa, Illinois e Missouri. Já para as equipes de Nova York, o território de “Home Television” é apenas a Grande Nova York e Nova Jersey, ou seja, territorialmente bem menor.

Equipes menores acabam conseguindo ganhar visibilidade nestes acordos locais, uma vez que raramente seriam exibidas em uma janela nacional por atraírem menos audiência. Além de ser um bom negócio para as equipes, trata-se também de um excelente negócio para as plataformas de mídia, já que se pode fechar este tipo de acordo com várias equipes locais de diferentes esportes e fazer com que a plataforma ou o canal se tornem imprescindíveis para aquele mercado específico.

Hipoteticamente, uma plataforma de mídia que feche um acordo local com o Florida Panthers (NHL), o Miami Heat (NBA) e o Miami Marlins (MLB) deveria ser aquela que não pode faltar em nenhuma operadora de TV por assinatura no sul da Flórida, o que, em tese, ajudaria bastante o canal nas negociações com as operadoras. Este é um negócio gigante, porque são vários mercados locais relevantes, com vários times e diferentes esportes, o que pode mudar a realidade de uma plataforma de mídia em mercados específicos.

Apesar disso parecer uma realidade apenas para mercados muito maduros, aqui no Brasil, guardadas as devidas proporções, já temos alguns exemplos de acordos similares.

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