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Delator acusa correios dos EUA de plano que pode privar milhões de votar

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Delator acusa correios dos EUA de plano que pode privar milhões de votar

Um relatório de um delator afirma que o Serviço Postal dos EUA (USPS, na sigla em inglês) segue com um plano acelerado para aplicar uma ordem do presidente Donald Trump sobre voto pelo correio, apesar de uma decisão judicial que bloqueou a medida, de acordo com o jornal "The New York Times".

O documento, divulgado hoje pelo gabinete do senador Richard Blumenthal, democrata de Connecticut, descreve a iniciativa como "secreta" e "apressada". O relato sustenta que a implementação de um novo sistema digital para supervisionar cédulas enviadas pelo correio pode falhar em larga escala a dois meses das eleições de meio de mandato.

O denunciante diz que o USPS manteve o trabalho mesmo após a ordem de uma juíza federal para paralisar o plano. "Potencialmente milhões de eleitores americanos podem não receber sua cédula de voto pelo correio neste ciclo eleitoral a tempo, ou sequer receber", afirmou o servidor no relatório.

Blumenthal afirmou que o desenho do sistema pode tirar eleitores do processo eleitoral. "Para mim, a principal conclusão é que o Serviço Postal desenhou um sistema para privar milhões de americanos do direito de votar. Um terço de todos os americanos vota pelo correio, e o USPS coloca todos esses votos em risco", disse o senador, em conversa por telefone com repórteres.

Um representante do USPS se recusou a comentar oficialmente o conteúdo do relatório. O texto foi preparado com apoio da Whistleblower Aid, organização sem fins lucrativos que assessora pessoas que buscam expor possíveis ilegalidades.

O relatório aponta risco de rejeição em massa de votos por falhas de leitura de códigos de barras. A preocupação é que, em uma remessa em lote, "se até um código de barras em uma única cédula" não for escaneado corretamente, dezenas de milhares de votos possam ser recusados.

O embate ocorre após decisões judiciais divergentes sobre a ordem executiva de Trump para restringir o voto pelo correio. A Suprema Corte havia permitido que o governo avançasse, ao considerar prematuro um processo porque o plano ainda não estava em execução.

Dias antes da decisão da Suprema Corte, o USPS publicou formalmente um plano para cumprir a ordem executiva. Com isso, a juíza Indira Talwani, de um tribunal federal de Massachusetts, avaliou que o cenário havia mudado e bloqueou temporariamente a iniciativa.

Trump tem defendido restrições ao voto pelo correio e repete alegações falsas de fraude nesse tipo de votação. O "The New York Times" lembra que, apesar das críticas, o presidente votou pelo correio em duas eleições neste ano.

O jornal afirma que as novas regras podem ter efeito maior em estados com disputas acirradas para Câmara, Senado e governos estaduais. Entre os exemplos citados estão Michigan, onde 37% dos votos foram pelo correio em 2022, e a Califórnia, que envia cédulas a todos os eleitores e é vista como peça central na estratégia democrata para retomar o controle da Câmara.

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