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EUA e Irã voltam a trocar ataques

UOL Notícias ·
EUA e Irã voltam a trocar ataques

Os Estados Unidos lançaram uma nova onda de ataques contra alvos militares iranianos, encerrando um mês de relativa calma no conflito que já dura seis meses. O Comando Central americano (Centcom) disse ter atingido sistemas de defesa antiaérea, radares e equipamentos usados para lançar minas navais, em resposta a tentativas iranianas de atacar navios comerciais no Estreito de Hormuz — passagem por onde circula cerca de um quinto do petróleo mundial — e militares americanos na região.

O Irã revidou lançando mísseis contra uma base americana na Jordânia . A Jordânia afirma ter interceptado a maior parte dos projéteis; Teerã alega ter causado baixas entre as forças dos EUA, o que Washington nega. Bahrein e Kuwait também reportaram ataques com drones em suas direções.

A mídia estatal iraniana informou que um ataque americano atingiu uma casa onde acontecia uma festa de casamento na cidade de Kuhestak, matando ao menos quatro pessoas — entre elas uma criança — e ferindo dezenas. O Centcom disse estar ciente dos relatos, mas ressaltou que eles "têm origem na mídia estatal iraniana" e que "as forças americanas nunca miram civis". Não houve confirmação independente do episódio.

O presidente Donald Trump ameaçou responder com mais força a qualquer retaliação iraniana, dizendo que "restará muito pouco" do país caso o conflito escale. Analistas ouvidos por agências internacionais avaliam que nenhum dos lados sinaliza disposição para uma solução duradoura. Os preços do petróleo subiram mais de 4% no pregão de terça.

Autoridades americanas saíram em defesa do acordo que dá aos Estados Unidos controle sobre um quinto das reservas de petróleo da Venezuela — 17 campos com cerca de 65 bilhões de barris, por concessão de cem anos. A operação será conduzida pela North American Blue Energy Partners (Nabep), companhia ligada ao empresário venezuelano Alejandro Betancourt, investigado na Suíça e na Espanha por suposta lavagem de dinheiro ligada à estatal PDVSA.

Um alto funcionário do governo americano, sob condição de anonimato, disse que Washington "não está pedindo a canonização de ninguém" , mas defendeu Betancourt como um "operador comprovado" e afirmou que ele não responde a nenhuma investigação nos Estados Unidos. O secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou que o acordo é formalmente firmado com uma empresa privada — não com o governo interino venezuelano.

O Parlamento venezuelano, controlado pelo governo, aprovou nesta terça o texto que dá base ao acordo, ainda não assinado oficialmente nem divulgado em detalhes. A oposição minoritária se absteve de votar contra, mas cobra acesso ao conteúdo integral do contrato. Rubio afirmou ainda que a opositora María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz, tem "todo o direito" de retornar à Venezuela quando quiser.

Críticos apontam que o acordo carece de um processo competitivo de seleção.

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