Sol pode “perder a memória” e dificultar previsões climáticas espaciais
O Sol pode estar prestes a “esquecer” seu passado .
Essa é a hipótese apresentada por um estudo da Universidade de Oulu, na Finlândia , que analisou cerca de 180 anos de registros geomagnéticos e detectou um padrão intrigante relacionado aos ciclos de atividade solar.
A análise utilizou o índice aa , um indicador da intensidade das perturbações no campo magnético da Terra que começou a ser registrado em 1844.
Segundo os resultados, depois que um ciclo solar de número ímpar termina, as características desse período deixam de ajudar tão bem a prever a força do ciclo seguinte.
Diagrama ilustra a dinâmica dos ciclos solares. – Crédito: Imagem gerada por IA A descoberta está relacionada à chamada regra de Gnevyshev-Ohl , proposta em 1948.
Ela indica que os ciclos solares acontecem em pares e que, geralmente, o ciclo ímpar de cada dupla apresenta atividade mais intensa do que o ciclo par que o acompanha.
Esse comportamento aparece na maior parte dos registros dos últimos 180 anos.
A exceção mais recente ocorreu entre os ciclos 22 e 23.
Já a dupla atual, formada pelos ciclos 24 e 25, segue o padrão esperado, com o ciclo 25 apresentando atividade superior à do anterior.
Assimetria é uma característica natural do Sol Em entrevista ao Olhar Digital , a física Adriana Valio, professora titular da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pesquisadora do Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), confirmou que as correlações entre um ciclo par e o ciclo ímpar anterior são sistematicamente fracas e não significativas, enquanto as correlações entre um ciclo ímpar e o ciclo par anterior são fortes e estatisticamente robustas.
Ciclos solares ímpares costumam superar os pares que os antecedem, padrão observado nos últimos 180 anos, com exceção da dupla 22 e 23. – Crédito: Imagem gerada por IA Para a pesquisadora, que não tem relação com o novo estudo, essa assimetria observada em variáveis obtidas por métodos diferentes não é uma mera oscilação de amostragem, mas sim uma característica física do comportamento magnético da nossa estrela.
“Provavelmente é o que se espera da regra de Gnevyshev-Ohl e da teoria de dínamo solar, na qual o campo toroidal de um ciclo (que gera as manchas) se origina do campo poloidal acumulado no ciclo anterior, dentro do ciclo de Hale de 22 anos.
Ou seja, o ‘esquecimento’ da informação do ciclo ímpar ao prever o ciclo par seguinte reflete a própria estrutura do dínamo (pares par-ímpar acoplados), não uma limitação de amostra”, ressalta.
Fim de ciclo solar ímpar “reseta” memória do astro O estudo sugere que o fim de um ciclo solar ímpar representa uma espécie de ponto de reinicialização.
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