Os bastidores da briga de acionistas que levou à separação de Arezzo e Soma
A separação de negócios anunciada hoje pela Azzas 2154 é o desfecho de meses de disputa entre seus acionistas Alexandre Birman (herdeiro da Arezzo) e Roberto Jatahy (cofundador da marca Animale e criador do grupo Soma). A solução, que divide a empresa em três partes, sela o fim do casamento entre os grupos Soma e Arezzo&Co, pouco mais de dois anos após sua fusão .
A disputa foi levada à Justiça em maio deste ano e chegou a impactar o negócio. Em teleconferência com investidores em agosto, Birman, CEO do grupo, admitiu que as questões societárias desviaram o foco da diretoria em um momento desafiador, com queda na receita e no lucro.
Em maio, Roberto Jatahy propôs uma ação na Justiça contra Birman. A petição, vista pelo UOL , alegava que Birman vinha causando "gravíssimos prejuízos à companhia". O cerne da ação foi a decisão de Birman de desintegrar a unidade de negócios liderada por Jatahy.
Batizada de Projeto 21, a unidade reunia no Rio de Janeiro nove marcas do grupo com foco em moda masculina e feminina. A decisão teria sido tomada sem anuência do conselho de administração e levaria a perdas de milionárias ao grupo, dizia Jatahy.
Na petição, a defesa de Jatahy chamava a gestão de Birman de "caótica". A liderança do atual CEO do grupo foi classificada como "amplamente tida como caótica, prejudicando a retenção de talentos, gerando altíssima rotatividade de executivos".
Destacava também a saída de dez altos executivos do grupo. Dentre eles estavam nomes de peso como Rony Meisler, fundador da marca Reserva. A Reserva foi vendida para a Arezzo em 2020 e, em agosto de 2024, Meisler deixou o grupo. Outro que deixou o grupo foi Thiago Hering, da família fundadora da Hering. A marca foi vendida para o grupo Soma em 2021, e Thiago Hering deixou o grupo em 2025.
A ação ainda destacava o mau desempenho das marcas sob gestão direta de Birman, e a destruição de valor da companhia na bolsa. Na Azzas, Birman conduz de forma mais direta a divisão Shoes & Bags e Basics, que reúne as marcas Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Vans, Vicenza e Hering. "A deterioração das unidades de negócio de Shoes & Bags e Basics somada a dificuldade de retenção de pessoas chaves para condução de negócios da companhia, o ambiente hostil e a gestão errática promovida por Alexandre, dentre tantos outros fatores, gerou uma grande destruição de valor da Azzas, o que se reflete no valor de suas ações", dizia a petição.
Com a disputa escancarada, a empresa passou a discutir a cisão dos grupos, que se concretiza agora. O Itaú assessorou o conselho da Azzas no processo, com a elaboração de um estudo para definir o valor das companhias separadas, além de desenhar uma solução independente para a Farm, conforme o UOL apurou. Joia da coroa do grupo, a Farm hoje fatura mais fora do Brasil do que aqui. Contatados, Roberto Jatahy e Alexandre Birman não comentam.
Pelo acordo, a Arezzo&Co vai concentrar marcas de calçados, bolsas e a rede de vestuário Hering. Sob o comando da empresa ficam Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Vans, Vicenza, Paris Texas, Brizza, Carol Bassi e o ZZ Mall.
A Soma vai reunir marcas de moda premium feminina e masculina.
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