Você está pensando em comprar Bolsa brasileira? O estrangeiro está vendendo
Michael Viriato escreve sobre como cuidar do seu dinheiro, poupar e planejar o futuro
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Nos primeiros três meses e meio de 2026, investidores estrangeiros colocaram quase R$ 70 bilhões na Bolsa brasileira. Desde então, retiraram mais da metade desse valor. A mudança chama atenção não apenas pela intensidade, mas também pela evolução.
Do início do ano até 14 de abril, os estrangeiros colocaram cerca de R$ 69 bilhões líquidos em ações negociadas na B3 . Apesar da magnitude, o movimento já perdia força (veja na tabela mais abaixo).
Foram R$ 26,3 bilhões em janeiro, R$ 15,4 bilhões em fevereiro, R$ 11,7 bilhões em março e apenas R$ 3,2 bilhões em abril. O dinheiro continuava entrando, mas em ritmo cada vez menor.
Em meados de abril, a desaceleração virou mudança de direção. Desde o pico acumulado de aproximadamente R$ 69 bilhões até 7 de agosto, os estrangeiros retiraram R$ 38 bilhões. Mais da metade de tudo o que havia entrado até então foi devolvida. Ainda assim, graças à forte entrada do início do ano, o saldo em 2026 permanece positivo em cerca de R$ 31 bilhões.
Da mesma forma, observa-se um padrão de decaimento do fluxo. Maio registrou saída de quase R$ 15 bilhões e junho, de outros R$ 8 bilhões. Julho trouxe uma aparente trégua, com entrada de R$ 2,6 bilhões. Parecia um sinal de reversão da tendência.
Entretanto, o início do mês de agosto voltou a chamar atenção. Em apenas cinco pregões, até o dia 7, os estrangeiros retiraram R$ 5,6 bilhões. Somente nos dois últimos dias desse período foram quase R$ 4,7 bilhões.
Ainda é cedo para saber se agosto representa uma oscilação pontual ou se julho foi a exceção e estamos assistindo à retomada do fluxo negativo iniciado em abril. Mas o momento em que essa saída ocorre merece atenção.
Enquanto o estrangeiro volta a retirar recursos da B3, os Estados Unidos oferecem uma combinação poderosa para disputar o capital global. O S&P500 atingiu nova máxima histórica em 7 de agosto, enquanto as taxas dos títulos de dez anos do Tesouro americano subiram e agora oferecem retorno de 4,7% ao ano.
Assim, o investidor encontra no mesmo mercado ações se valorizando e renda fixa soberana pagando juros historicamente elevados.
O humor das ações americanas não é injustificado. O lucro médio das ações que formam o S&P500 cresceu 28% no primeiro trimestre de 2026 e o segundo trimestre surpreendeu ainda mais. O lucro médio das empresas do principal índice americano sobe 51% no segundo trimestre de 2026.
Esse é um custo de oportunidade importante para o Brasil. O investidor estrangeiro não precisa decidir apenas se nossas ações estão baratas ou caras. Ele compara o retorno esperado daqui com as alternativas disponíveis no mundo.
Os dados da B3 não permitem afirmar que os recursos retirados estejam migrando para os Estados Unidos, mas a atratividade dos ativos americanos aumenta a competição por esse capital.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Mercado.