Dança das cadeiras na Brava Energia (BRAV3): conselheiro renuncia em meio às mudanças promovidas pela Ecopetrol
Eleito para o colegiado no último dia 19, Julián Lemos Valero deixou o cargo após mudanças administrativas na Ecopetrol, nova controladora da petroleira brasileira
Segundo a petroleira, a saída do executivo está relacionada às mudanças administrativas em curso na Ecopetrol , que assumiu o controle da Brava Energia em agosto.
“A companhia agradece ao Sr. Julián e expressa votos de contínuo sucesso em sua trajetória profissional”, afirmou a junior oil brasileira em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A dança das cadeiras acontece cerca de dez dias depois de a controladora colombiana promover uma reformulação no colegiado da Brava.
Com as mudanças, o conselho passou a ser formado por Alexandre Marcelo Marques Cruz, Richard Kehrer Kovacs, Harley Lorentz Scardoelli, André Marcelo da Silva Prado, Carlos Alberto Pereira de Oliveira, Catalina Velázquez Gil, Camilo Alfonso Barco e, até então, Julián Lemos Valero.
A nova mudança no conselho ocorre em meio às dúvidas do mercado sobre os planos da Ecopetrol para a Brava Energia.
Na última terça-feira (25), a colombiana realizou sua primeira teleconferência com investidores e analistas desde que assumiu o controle da junior oil brasileira. O objetivo era apresentar os próximos passos da companhia e detalhar a estratégia para o novo ativo.
De acordo com analistas, a Ecopetrol apresentou um plano de criação de valor, mas ainda deixou boa parte das perguntas do mercado sem resposta.
As metas de curto prazo, previstas até o fim de 2026, estarão concentradas no fortalecimento da estrutura de governança. A controladora, porém, não antecipou eventuais mudanças na administração e limitou-se a afirmar que avalia oportunidades nessa frente.
Por enquanto, o plano é integrar a Brava ao ciclo de planejamento e de prestação de contas da Ecopetrol, alinhando os planos de negócios e as decisões de alocação de capital. A colombiana também destacou que pretende preservar os interesses dos acionistas minoritários, que ainda detêm 49% da empresa.
Outro ponto no radar é uma eventual combinação da Brava com os ativos que a Ecopetrol já possui no Brasil. A controladora afirmou que avalia potenciais operações para capturar sinergias, mas ressaltou que nenhuma decisão foi tomada até o momento.
Já o fechamento de capital da Brava Energia não está nos planos. Segundo a Ecopetrol, a administração está “confortável” com a permanência da petroleira listada na bolsa brasileira.
Apesar das sinalizações, analistas consideraram que a apresentação trouxe poucos detalhes adicionais sobre o futuro da companhia. Neste primeiro momento, o foco da controladora parece estar na integração dos negócios e na continuidade operacional.
Para o BTG Pactual, a governança segue como uma “importante incerteza” para a tese de investimento.
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