A escada que a IA está desmontando
Terminei a coluna anterior com uma palavra que ficou ecoando: estofo.
Escrevi que, quanto mais a inteligência artificial assume a execução do trabalho, mais valioso se torna o julgamento humano — e que julgamento não se instala como aplicativo.
Ele se forma com repertório, experiência, erros cometidos e situações vividas.
Ele se forma, em outras palavras, subindo uma escada.
E é exatamente essa escada que a inteligência artificial está desmontando.
Se o julgamento nasce da experiência, e a experiência nasce da execução, o que acontece quando a execução vai para a máquina? Pense em como se formou qualquer profissional experiente que você conhece.
O contador que hoje bate o olho num balanço e percebe a inconsistência passou anos conferindo lançamento por lançamento.
O advogado que antecipa o risco de uma cláusula leu, revisou e errou centenas de contratos antes.
O gestor comercial que sente quando uma negociação vai azedar visitou cliente, perdeu venda, ouviu não.
O discernimento que hoje parece intuição é, na verdade, camada sobre camada de trabalho repetitivo digerido ao longo do tempo.
Esse trabalho repetitivo era a escada.
Estagiário, assistente, júnior, pleno, sênior — cada degrau era feito de tarefas que ninguém amava, mas que formavam a base de tudo: conferir, digitar, revisar, comparar, refazer.
O degrau de baixo sempre foi o preço da formação: entediante, repetitivo e, justamente por isso, formador.
E são exatamente essas tarefas que a inteligência artificial executa melhor, mais rápido e mais barato.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.campograndenews.com.br — o conteúdo pertence a Campo Grande News.