Como saber se você já pode se aposentar?
Michael Viriato escreve sobre como cuidar do seu dinheiro, poupar e planejar o futuro
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Considere um indivíduo com R$ 5 milhões investidos e que está pensando em parar de trabalhar. Será que ele já pode se aposentar? A resposta parece depender do patrimônio, mas começa por uma pergunta mais difícil: quanto custará sua vida quando o salário deixar de entrar na conta e por quanto tempo precisa receber essa renda?
O primeiro erro é imaginar que precisamos substituir integralmente o salário. Quem recebe R$ 40 mil mensais, gasta R$ 25 mil e investe R$ 15 mil não precisa necessariamente de R$ 40 mil para manter seu padrão de vida.
Na aposentadoria, deixará de fazer os aportes destinados a financiá-la. O objetivo é substituir o consumo, não o salário.
Mas esse consumo continuará igual? A aposentadoria não necessariamente custa menos. Ela custa diferente. Algumas despesas desaparecem, outras diminuem e outras podem crescer bastante, em momentos distintos.
Nos primeiros anos, a vida pode até ficar mais cara. Quem passou décadas trabalhando encontra tempo para viajar, frequentar restaurantes e realizar projetos adiados. Um casal aposentado aos 60 anos pode gastar mais entre os 60 e os 70 do que gastava enquanto trabalhava.
Por outro lado, desaparecem gastos com transporte e refeições profissionais. A educação dos filhos provavelmente terminou, o financiamento imobiliário pode estar quitado e diminui a necessidade de comprar bens para estruturar a família.
Com a idade, o consumo também muda. Aos 80 ou 85 anos, muitas pessoas viajam menos, trocam de carro com menor frequência e reduzem gastos com lazer. Não é regra, mas ajuda a explicar por que as despesas podem diminuir em termos reais durante parte da aposentadoria.
Uma despesa, entretanto, tende a caminhar na direção contrária: saúde. Planos de saúde já têm mensalidades elevadas nas faixas etárias superiores e continuam sujeitos a reajustes. Medicamentos e tratamentos também podem ganhar peso no orçamento. Em situações de perda de autonomia, cuidadores podem representar gastos ainda maiores.
Assim, a redução de outras despesas pode compensar parte do aumento com saúde e até diminuir o gasto total em termos reais. Isso não é garantido, especialmente quando surgem necessidades prolongadas de cuidados.
Há ainda outro detalhe: a inflação do aposentado pode ser diferente da média do país. Conforme a saúde ganha peso no orçamento, aumentos de planos, medicamentos e tratamentos passam a impactar mais seu custo de vida.
Corrigir tudo apenas pelo IPCA pode não refletir essa realidade. A inflação da parcela de saúde e cuidados pessoais no IBGE foi quase 26% maior que o IPCA na última década.
Voltemos aos R$ 5 milhões. Uma pessoa pretende gastar R$ 15 mil mensais, equivalentes a 3,6% do patrimônio ao ano. Outra deseja gastar R$ 35 mil, ou 8,4%. São taxas iniciais de retirada, não garantias de sustentabilidade, mas mostram como o mesmo patrimônio pode ser suficiente para uma pessoa e insuficiente para outra.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.