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Telas atrapalham, mas não definem hábito de leitura de crianças e adolescentes

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Telas atrapalham, mas não definem hábito de leitura de crianças e adolescentes

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Celulares , redes sociais e plataformas online de jogos tomam conta do universo dos jovens cada vez mais cedo. Em um país em que a maioria da população não lê , as telas parecem ser as grandes vilãs da dificuldade em criar hábitos de leitura de livros já no início da adolescência.

Apesar de disputar a atenção desse grupo com outros hábitos, o gosto pela leitura depende mais da influência familiar e do acesso a obras de interesse no caso de jovens entre 11 e 14 anos, dizem especialistas.

A faixa etária corresponde à maior parte dos leitores do país, de acordo com a última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil , e é vista como estratégica para a consolidação dos hábitos de leitura.

No estudo feito em 2024, 81% das pessoas com idade entre 11 e 13 anos foram consideradas leitoras. O percentual cai para 62% no segmento seguinte, que vai dos 14 aos 17.

"É claro que o uso do celular atrai muito a atenção deles, mas é um fenômeno muito parecido com a época da televisão . Quem não gostava de ler na época da TV é um perfil parecido com quem não gosta de ler agora", afirma Juçara Teixeira, professora de língua portuguesa do 9º ano do Centro Pedagógico da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Para ela, a falta de envolvimento familiar tem mais peso. "Em geral, se a família não tem a prática de leitura, a cultura de comprar livros , de ler livros, isso interfere no hábito daquele estudante."

Leitora assídua de romances infantojuvenis, Anna Carolina, 14, diz que se espelhou na irmã, de 25, ao criar gosto pela leitura. "Eu gosto de ler em casa, na escola, em todo lugar."

Já Samuel Matheus, 13, diz que o interesse começou a aparecer mais tarde porque não recebeu o incentivo em casa. No último ano, ele foi atraído por histórias de sagas como " Harry Potter ", de J.K. Rowling, e "Assassin's Creed", de Anton Gill.

"São livros que têm magia, envolvimento com seres míticos e tal. Eu passei minha infância inteira assistindo a desenhos animados , então é algo que me chama atenção."

Diferenças entre as preferências dos alunos e as leituras obrigatórias das escolas também são obstáculos no engajamento literário. "Os livros que a escola passa são histórias de antigamente, coisa nada a ver", diz Pedro Ryan, 14. O estudante diz não se considerar um grande leitor, embora afirme gostar dos gibis da Turma da Mônica .

"Muitos gostam de ler, principalmente mangá, quadrinhos e romances infantojuvenis. A questão é que muitas vezes não gostam de ler o que a gente está propondo", afirma Patrícia Cardoso, professora de português do CEU Emef Jaguaré, escola da zona norte de São Paulo.

Levantamento da Folha mostra que os livros "Diário de um Banana", de Jeff Kinney, são recordistas em empréstimos feitos por adolescentes de 11 a 14 anos em bibliotecas e equipamentos públicos de São Paulo.

No ano passado, 16 obras da coleção estiveram entre as 20 mais demandadas da capital paulista, somando 3.745 empréstimos ao longo do ano. De 2022 a 2024, a série também dominou a preferência entre leitores dessa faixa etária.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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