Índia busca atrair empresas de data centers e corre para aumentar energia limpa
Bloomberg Os fornecedores de energia renovável da Índia estão prestes a registrar um salto na demanda dos data centers, à medida que a crescente reação contrária nos EUA e os riscos decorrentes do conflito no Oriente Médio levam as operadoras a buscar novos mercados.
A energia limpa necessária para abastecer a infraestrutura que atende à inteligência artificial é "enormemente subestimada", afirmou Kuldeep Jain, diretor-geral e fundador da CleanMax Enviro Energy Solutions, uma das principais fornecedoras de energia renovável do país.
"Mesmo que apenas cinco gigawatts (GW) de capacidade de data centers venham para a Índia, o que é uma estimativa conservadora, serão necessários cerca de 30 a 40 GW de energia renovável", afirmo. "É um caso de demanda superior à oferta".
A Índia busca atrair empresas de data centers, oferecendo subsídios nas tarifas de energia, incentivos fiscais e maior facilidade para a liberação de terrenos. Com isso, o país tornou-se o mercado mais bem classificado para o desenvolvimento de data centers na região da Ásia -Pacífico, excluindo a China, segundo a BloombergNEF.
A atratividade do país como destino para essas empresas foi reforçada pelas críticas de algumas cidades dos EUA contra suas instalações, que consomem enormes volumes de recursos, e pelos riscos decorrentes da possibilidade de ampliação do conflito no Oriente Médio, afirmou Jain. Dois data centers da Amazon foram danificados por um ataque iraniano no Bahrein em julho.
Sustentar uma expansão tão rápida exigirá bilhões de dólares em investimentos em energias renováveis e armazenamento de energia, declarou Jain. A CleanMax está adicionando cerca de 1,5 GW de capacidade solar e eólica por ano, com despesas anuais de capital de até 90 bilhões de rupias (US$ 950 milhões), comentou Jain.
"Se você quiser abastecer um data center de IA de 1 GW com 75% de energia renovável, precisará de cerca de 3 GW de energia solar , 3 GW de energia eólica e aproximadamente 3 gigawatts-hora de capacidade de armazenamento de energia", afirmou Jain. "Isso exige cerca de 400 bilhões de rupias (US$ 4,8 bilhões) em despesas de capital apenas na parte de energias renováveis".
A empresa, apoiada pela Brookfield Asset Management, já assinou contratos de fornecimento com várias hiperescaladoras de IA —companhias que administram redes globais de data centers—, entre elas Meta, Google, Apple e Amazon. A empresa fornecerá 1,8 GW, o equivalente a cerca de um terço de todos os contratos desse tipo firmados na Índia nos últimos três anos.
Jain afirmou que as hiperescaladoras de IA estão dando cada vez mais preferência a contratos flexíveis de energia, nos quais têm a opção de comprar apenas os atributos ambientais de um projeto de energia renovável para compensar emissões, sem exigir a entrega física da eletricidade às suas instalações.
"Elas podem levar a energia diretamente aos data centers ou, como alternativa, nos pedir que vendamos a energia nas bolsas e nos pagar a diferença entre a tarifa garantida e o valor obtido no mercado", comentou Jain. "Temos observado que a maioria das hiperescaladoras prefere manter essa flexibilidade.
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