Tecnofascismo: plataformas digitais, algoritmos e erosão democrática
RS/Fotos Públicas O bilionário sul-africano Elon Musk Em 25 de janeiro de 2025, Elon Musk participou, por videoconferência, de um ato eleitoral do partido alemão Alternativa para a Alemanha , a AfD.
Disse aos militantes que eles representavam “a melhor esperança para a Alemanha”, criticou o multiculturalismo e afirmou que o país dedicava atenção excessiva à culpa pelo seu passado.
Quem intervinha na eleição alemã não era candidato, dirigente partidário ou chefe de governo.
Era o homem mais rico do mundo e, sobretudo, o proprietário de uma das infraestruturas pelas quais circula uma parcela relevante do debate público global.
Essa diferença importa.
Um político disputa votos, enfrenta a oposição e presta contas de seus atos.
Quem controla uma grande plataforma digital não precisa de nada disso.
Ele pode alterar critérios de recomendação, reduzir equipes de moderação, restabelecer contas suspensas, favorecer determinados conteúdos e, de um dia para o outro, remodelar as condições de visibilidade do discurso público.
Poucas pessoas sabem quando essas mudanças ocorrem, por que foram adotadas ou a quem beneficiaram.
O controle da infraestrutura confere ao proprietário uma capacidade de intervenção política que não decorre do voto e que os freios institucionais mal alcançam.
O episódio oferece uma imagem do tecnofascismo contemporâneo.
A expressão exige cautela, pois a banalização da palavra “fascismo” enfraquece sua utilidade histórica e analítica.
Ainda assim, há fenômenos novos que as categorias tradicionais descrevem apenas em parte.
Quando o controle de tecnologias essenciais se combina com a concentração de poder, a rejeição das mediações democráticas e um projeto político hostil ao pluralismo, a técnica deixa de funcionar apenas como instrumento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.conjur.com.br — o conteúdo pertence a Consultor Jurídico.