Sobrevivente de abuso sexual infantil acusa Grok, de Elon Musk, de criar novas imagens de abuso com fotos suas
O pesadelo de quem sobreviveu a um abuso sexual na infância não termina necessariamente quando as imagens da violência são retiradas da internet.
Com a inteligência artificial, elas podem ganhar novas versões — e, segundo uma ação judicial apresentada nos Estados Unidos, foi exatamente isso que teria acontecido com uma sobrevivente que decidiu processar a xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk.
Identificada no processo como Jane Doe, para preservar sua identidade, a mulher afirma que o Grok, chatbot desenvolvido pela xAI, utilizou imagens reais de abusos sofridos por ela quando criança para gerar novas imagens sexualmente explícitas nas quais ela própria aparece.
A acusação consta de uma ação apresentada na Califórnia na semana passada.
O caso adiciona uma camada particularmente perturbadora à discussão sobre os limites da inteligência artificial generativa.
Não se trata apenas de uma fotografia comum transformada em uma imagem sexualizada sem consentimento, prática que já colocou o Grok no centro de uma série de controvérsias.
A alegação agora é que o material que documentava uma violência real contra uma criança teria sido utilizado como matéria-prima para produzir novas representações daquela mesma violência.
De acordo com os advogados da autora, as imagens originais do abuso circulam na internet há cerca de duas décadas e já são conhecidas por organizações de proteção à infância.
O processo afirma que o Grok teria conseguido utilizar esse material para criar novas imagens da vítima.
Continua após a publicidade A diferença é crucial.
Imagens reais de abuso sexual infantil podem receber identificadores digitais — espécies de “impressões digitais” que permitem às autoridades e às plataformas localizar e impedir sua redistribuição.
Quando uma inteligência artificial cria novas imagens a partir desse material, porém, surge um problema adicional: cada geração pode produzir um arquivo diferente, tornando mais difícil identificar e remover o conteúdo.
Para a sobrevivente, segundo a ação, o resultado seria a transformação de um trauma passado em uma ameaça potencialmente permanente.
A violência que aconteceu quando ela era criança poderia continuar sendo recriada por uma máquina décadas depois.
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