Mesmo com rali do açúcar e alta de 42% da ação em agosto, Bank of America reforça venda de usina
A disparada dos preços do açúcar e do etanol não foi suficiente para deixar o Bank of America mais otimista com a São Martinho ( SMTO3 ) . Mesmo após as ações da companhia avançarem 42% em agosto, o banco reiterou a recomendação underperform , equivalente a venda, e o preço-alvo de R$ 15 .
Na avaliação das analistas Isabella Simonato e Julia Zaniolo, a valorização dos papéis superou tanto o desempenho das commodities quanto a melhora dos fundamentos do setor.
O açúcar subiu 20% em agosto, para 17,6 centavos de dólar por libra-peso — maior cotação desde maio de 2025 —, enquanto o etanol avançou 13% e retornou aos níveis observados em maio deste ano.
O movimento foi impulsionado por preocupações com a oferta. No Brasil, o ritmo mais lento da moagem levantou dúvidas sobre a produção de açúcar. Na Índia, os preços domésticos dispararam 40% em dois meses, levando o governo a autorizar a importação de 1 milhão de toneladas sem cobrança de impostos até 31 de outubro.
As chuvas no país asiático também estavam 13% abaixo da média até 27 de agosto, a caminho de uma das monções mais fracas da última década.
Apesar desse cenário, o BofA avalia que o déficit global de açúcar esperado para a safra 2026/27 já está amplamente refletido nas cotações.
Além de considerar exagerada a valorização de 42% registrada em agosto, o Bank of America não acredita que os preços atuais das commodities sejam suficientes para provocar revisões positivas nas projeções de lucro da companhia.
A São Martinho possui proteção de preços para cerca de um terço de seu volume de açúcar no ano fiscal de 2027, a 15,8 centavos de dólar por libra-peso — abaixo das cotações atuais. O banco também projeta fluxo de caixa negativo, mesmo considerando preços do etanol superiores aos observados no mercado.
Após o rali, a ação passou a ser negociada a 4,6 vezes o valor da firma sobre o Ebitda estimado para o ano fiscal de 2027, acima de sua faixa histórica, entre 3,5 e 4 vezes.
O posicionamento dos fundos no açúcar negociado em Nova York passou de uma posição líquida vendida de aproximadamente 120 mil contratos em junho para uma posição comprada de 123 mil contratos — maior nível desde outubro de 2024.
Ainda assim, o banco acredita que a disponibilidade brasileira para exportação deve manter os fluxos comerciais confortáveis.
A expectativa é de que o Brasil produza entre 43 milhões e 44 milhões de toneladas de açúcar, considerando uma moagem de 625 milhões a 645 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul. O intervalo representa crescimento entre 2,3% e 5,5% em relação à temporada anterior.
Para o Bank of America, o déficit global estimado entre 2 milhões e 2,5 milhões de toneladas já está, em grande medida, precificado. A projeção do banco aponta para o açúcar a 16 centavos de dólar por libra-peso em março de 2027, abaixo dos 18,4 centavos indicados pelos contratos futuros.
Uma variação de 10% na estimativa para o preço do açúcar alteraria o Ebitda projetado da São Martinho para os anos fiscais de 2027 e 2028 entre 2% e 6%.
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