A verdadeira disputa na escala 6×1: o tempo do trabalhador brasileiro
A jornada 6×1 afeta a vida familiar, o sono e os relacionamentos.
O debate sobre o trabalho precisa considerar não só as questões econômicas, mas também o que acontece fora do expediente.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 costuma começar pelas horas trabalhadas.
Mas existe um ponto muito importante e que é constantemente negligenciado: quanto tempo sobra para viver quando seu trabalho ocupa seis dos sete dias da semana? Para quem nunca viveu essa rotina, pode parecer que um dia de folga é suficiente para descansar e resolver as pendências.
Mas para quem vive, a realidade é outra.
A folga vira o dia da faxina, do mercado, de lavar e passar a roupa acumulada e dos compromissos que não puderam ser cumpridos durante a semana.
Quando tudo termina (ou quase termina), muitas vezes já é hora de se preparar para voltar ao trabalho.
Minha percepção é decorrente de mais de 25 anos pesquisando a classe C e de pesquisas realizadas pelo Instituto Locomotiva com trabalhadores submetidos a essa jornada.
Os resultados nos ajudam a entender por que a discussão ganhou espaço na vida cotidiana dos brasileiros.
Entre os entrevistados, 69% dizem que a escala 6×1 impacta a vida familiar, 61% relatam dificuldades para dormir e para 55% a jornada dificulta aproveitar momentos de lazer, cultivar hobbies, encontrar amigos e manter uma vida social.
Os relacionamentos com amigos e pessoas amadas também são afetados negativamente de acordo com 51% dos entrevistados.
Continua após a publicidade Além disso, a conta não termina quando o expediente acaba.
Há o tempo gasto no transporte, o cansaço acumulado e as tarefas domésticas que continuam esperando.
Isso porque o trabalhador não “vende” apenas as horas em que está diante do chefe ou executando uma atividade presencialmente no trabalho.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.