Entenda como a taxa das blusinhas, que pode ser derrubada nesta terça, afeta o varejo
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O Congresso Nacional analisa nesta terça-feira (1º) a manutenção da MP (medida provisória) que acabou com a chamada taxa das blusinhas , editada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em maio.
A medida suspendeu a cobrança de 20% de imposto federal para compras de até US$ 50 (cerca de R$ 258) em plataformas estrangeiras como Shein , Shopee, Temu e AliExpress, que ganharam espaço entre os consumidores brasileiros e têm pressionado o varejo nacional.
Caso a votação não ocorra até dia 8 de setembro, a MP vai caducar, e o imposto voltará a ser cobrado em 9 de setembro, menos de um mês antes do primeiro turno das eleições.
Antes prevista para esta segunda-feira (31), a apresentação e votação do relatório na comissão que analisa a medida foi remarcada para a manhã desta terça, às 10h.
Como mostrou a Folha , deputados e senadores têm considerado que o assunto tratado na MP foi ficando cada vez mais delicado com os pedidos de recuperação judicial de grupos como Casas Bahia, Marabraz.
A leitura é que, caso o imposto seja definitivamente derrubado, o debate eleitoral pode ficar contaminado pela crise do varejo, uma vez que empresas maiores são vistas como mais resilientes e, ainda assim, enfrentam dificuldades. O Grupo Toky, dono da Mobly e da Tok Stok, e o Grupo Pão de Açúcar são outros exemplos de varejistas que levaram sua reestruturação financeira para a Justiça em 2026.
O presidente da comissão que discute a MP, Reginaldo Lopes (PT-MG), e a relatora, Leila do Vôlei (PDT-DF), afirmaram que o Congresso e o governo federal irão avaliar periodicamente os impactos da isenção do tributo nas empresas brasileiras para verificar a necessidade de oferecer alguma compensação ao setor, caso a MP seja mantida.
A princípio, esses efeitos devem ser avaliados a cada três meses, e depois, a cada seis.
Desde que a taxa caiu, em maio, a Receita Federal tem registrado picos de importações. O total de remessas recebidas em julho deste ano foi de 25,7 milhões –queda de 6% ante junho, mas disparada de 81% ante o mesmo período de 2025. Na comparação com abril, o último mês antes da mudança tributária, os volumes estão 63% maiores.
"O pico observado em junho, que mostrou salto de 118% na comparação anual, parece ter se normalizado parcialmente, mas a mensagem principal permanece inalterada: a redução da tributação reaqueceu significativamente a atividade de importação transfronteiriça", diz o BTG em relatório.
Pela capacidade de praticar preços mais baixos, as plataformas chinesas têm nos públicos C, D e E um espaço cativo.
Um estudo da LCA Consultoria mostra que esses estratos –cerca de 80% da população do país, segundo o IBGE– respondem pela maior parte das compras realizadas no ecommerce internacional, com ticket médio de US$ 18 (R$ 92).
Ou seja, para o público sensível a preço, a derrubada da taxa das blusinhas desbloqueia um potencial de compra até então adormecido pela tributação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Mercado.