El Niño muda o mapa do fogo em Roraima e aponta região de atenção para incêndios no estado
Análise preliminar do Inpa encontrou, em recorte na fronteira leste da Terra Indígena Yanomami, Perimetral Norte, Vila Apiaú, Vila Nova e Rio Mucajaí, uma média de área queimada 20 vezes maior em sete anos associados ao fenômeno climático O clima tem despertado preocupação cada vez maior, especialmente na Amazônia, onde secas e queimadas exigem atenção constante, até porque alterações ambientais e climáticas nessa parte do país podem repercutir muito além dos limites da região.
Nesse cenário, profissionais da pesquisa têm buscado compreender melhor como o fogo se comporta e quais áreas podem ficar mais vulneráveis.
Em Roraima, uma dessas análises mostra que o fogo não se distribui da mesma forma todos os anos.
Quando o fenômeno climático El Niño entra em cena, uma área que normalmente registra poucas queimadas passa a chamar atenção no mapa.
Um boletim, produzido por profissionais do Núcleo de Roraima do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), divulgado nesta última terça-feira, dia 1º de setembro, mostra que o El Niño não faz desaparecer o padrão habitual dos incêndios em Roraima, mas acrescenta ao mapa uma região de forte concentração do fogo.
Conforme o estudo, em anos sem influência do fenômeno, as queimadas preocupam principalmente nas áreas de Lavrado e, nas áreas florestais, na faixa entre Rorainópolis e Entre Rios.
Já nos anos de El Niño, uma região na fronteira leste da Terra Indígena Yanomami passa a se destacar fortemente.
No recorte de aproximadamente 6.670 quilômetros quadrados traçado entre o início da Perimetral Norte, Vila Apiaú, Vila Nova, Rio Mucajaí e a fronteira leste da Terra Indígena Yanomami, a média de área queimada nos sete anos de El Niño foi 20 vezes maior que nos demais anos.
Segundo o mestre em Ciências Ambientais e um dos pesquisadores responsáveis pela análise no Inpa, Arthur Citó, a área pesquisada foi delimitada a partir da observação de um padrão que chamou a atenção do grupo.
“Ali, os registros indicavam pouca área queimada em anos considerados normais e um aumento expressivo nos anos associados ao El Niño.
Por se tratar de uma análise preliminar, o recorte foi utilizado para exemplificar esse comportamento”, observou.
As previsões registradas no boletim indicam que este El Niño, formado em 2026, tem 90% de chance de ser um evento muito forte e 69% de atingir a maior temperatura desde os primeiros eventos registrados, em 1950.
“Para Roraima, o cenário mais provável é de seca intensa, capaz de reduzir também a umidade no interior das áreas florestais.
Essa condição aumenta o risco de o fogo avançar para dentro da floresta e atingir grandes proporções.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folhabv.com.br — o conteúdo pertence a Folha de Boa Vista.