Os impactos do racismo na educação infantil
Assisti recentemente a “Nosso Segredo”, o longa dirigido e roteirizado por Grace Passô, que estreou em setembro nos cinemas e usa o realismo fantástico para falar de temas espinhosos, como o racismo.
Uma das cenas mais tocantes do filme é um diálogo de Sidney (Juan Queiroz) com Tutu (Efraim Santos), um menino de 7 anos.
Na conversa, Sidney, que namora a irmã do menino, fala sobre o bullying que sofria na escola e de como isso afetou sua autoestima, ao perceber que a criança poderia estar passando por uma situação semelhante.
Sem didatismos desnecessários, o bate-papo entre eles expõe de forma sensível e delicada os efeitos dolorosos que o racismo pode ter na construção da identidade de crianças negras.
O longa é um dos pré-selecionados para representar o Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027.
Independentemente do resultado, ele acerta ao abordar na ficção um assunto que precisa ser discutido com urgência na vida real.
Segundo a pesquisa Panorama da Primeira Infância – O Impacto do Racismo , realizada pelo Datafolha e pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal no final de 2025, 16% dos cuidadores relatam que suas crianças de 0 a 6 anos já sofreram racismo.
Os casos são mais comuns entre as de 4 a 6 anos (21%) do que entre as de 0 a 3 anos (10%) , possivelmente porque as menores ainda não reconhecem ou verbalizam a discriminação.
A prevalência também é maior em famílias de baixa renda.
Creches e pré-escolas são os ambientes mais citados em que a criança já sofreu racismo, mencionados por mais da metade (54%) dos cuidadores .
Assim como sugere a ficção, na infância o racismo impacta a saúde física e socioemocional, a autopercepção, a socialização e o acesso a direitos e a oportunidade de aprendizagem, comprometendo o desenvolvimento integral das crianças.
RACISMO É REPRODUZIDO NAS BRINCADEIRAS DAS CRIANÇAS Continua após a publicidade “Marcadores raciais, como cabelo e cor de pele, atravessam as infâncias negras” , diz a pedagoga Lavínia Brasilino de Moraes, em entrevista à coluna.
Mestra em Educação, Lavínia estuda o racismo na infância e sua pesquisa foi uma das vencedoras da última edição do Prêmio Ciência pela Primeira Infância, promovido pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI).
A análise de campo, realizada a partir de diálogos com crianças pretas, pardas e brancas numa escola de Educação Infantil do Campo, no sul da Bahia, em Ilhéus, mostrou, entre outras coisas, que o racismo se manifesta de forma sutil e cotidiana no ambiente escolar.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.