Mistérios e segredos de textos medievais revelados graças à IA
Nas profundezas dos arquivos da Biblioteca Vaticana, um misterioso livro manuscrito, rabiscado com símbolos estranhos, permaneceu inédito por mais de 400 anos.
Suas páginas enigmáticas aparentemente ocultavam remédios secretos "para males do corpo humano", segundo um texto gravado na contracapa.
Tais práticas de cura eram mantidas em segredo na época, pois poderiam despertar suspeitas ou até mesmo acusações de bruxaria.
Conhecido como Cifra Borg, o manuscrito de 408 páginas é praticamente incompreensível: está codificado com 34 símbolos, algumas letras romanas e uma capa escrita em árabe.
Não existia nenhuma chave conhecida para decifrar seu conteúdo. Algumas páginas também estão danificadas pela ação do tempo, o que complica ainda mais o código.
Mas com a ajuda do aprendizado de máquina — uma forma de inteligência artificial — pesquisadores conseguiram decifrar o código.
Descobriram que o texto continha milhares de tratamentos incomuns, como beber vários copos de vinho tinto de alta qualidade ou fermentar noz-moscada em massa para combater a disenteria. (O documento criptografado completo pode ser visualizado online na Biblioteca Vaticana, código Borg.lat.898).
"É como um trabalho de detetive, onde cada símbolo, padrão e solução parcial pode nos aproximar dos segredos de alguém e de um mundo histórico perdido", explica Beáta Megyesi, professora de linguística computacional da Universidade de Estocolmo, na Suécia, que fez parte da equipe que decifrou o texto.
Agora, Megyesi e seus colegas lideram os esforços para aproveitar o poder da IA para decodificar documentos históricos com mais eficiência, o que poderia revelar uma riqueza de informações codificadas do passado que permaneceram indecifráveis até agora.
Segundo algumas estimativas, cerca de 1% do material em arquivos e bibliotecas do mundo todo está total ou parcialmente criptografado.
Em conjunto, documentos históricos criptografados ocultam informações diplomáticas, rituais de sociedades secretas, conhecimento médico, romances ou detalhes do cotidiano que as pessoas desejavam manter em segredo.
Em alguns casos, decifrar esses documentos tem o potencial de reescrever o que sabemos sobre uma pessoa famosa ou um período histórico inteiro.
Um exemplo recente que alcançou esse objetivo foi uma coleção de cartas codificadas que se descobriu terem sido escritas por Maria Stuart durante seu longo período presa na Inglaterra. Elas revelaram seu envolvimento em conspirações para retomar o trono e seu relacionamento tenso com seu filho, Jaime 6º da Escócia e futuro rei Jaime 1º da Inglaterra.
As cifragens antigas podem ser relativamente simples: a de Borg, por exemplo, usa uma cifragem de substituição direta, o que significa que cada símbolo foi trocado por uma única letra romana para ocultar a escrita.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.agazeta.com.br — o conteúdo pertence a A Gazeta (ES).