Como a guerra do Irã reacendeu a disputa pelo Canal do Panamá
Enquanto a guerra no Irã mantém o Estreito de Ormuz sob tensão, seus efeitos são sentidos muito além do Oriente Médio.
A milhares de quilômetros de distância, o Canal do Panamá , uma das rotas mais estratégicas do comércio global, transformou-se em um novo foco de disputa entre Estados Unidos e China .
Washington afirma que o avanço da influência chinesa na região representa um risco para o comércio internacional e para a segurança global.
Pequim rejeita as acusações e sustenta que os EUA utilizam esse argumento para justificar uma presença cada vez mais ampla no entorno da hidrovia.
Em meio ao embate entre as duas superpotências, o Panamá busca reafirmar sua soberania sobre o canal e preservar sua neutralidade.
O Canal do Panamá é uma hidrovia artificial de cerca de 80 quilômetros que corta o istmo panamenho e conecta os oceanos Atlântico e Pacífico.
Sua posição estratégica permite que navios evitem a longa e muitas vezes perigosa rota ao redor do Cabo Horn, no extremo sul da América do Sul, reduzindo significativamente o tempo de viagem e os custos do transporte marítimo.
Para cruzar a hidrovia, as embarcações pagam tarifas calculadas com base em fatores como porte, tipo de navio e volume de carga, em um modelo semelhante ao adotado pelo Canal de Suez, no Egito.
O canal opera por meio de um complexo sistema de eclusas que eleva os navios até o Lago Gatún, no interior do Panamá, antes de baixá-los novamente ao nível do mar no lado oposto. Cada travessia consome milhões de litros de água doce retirados do lago e de reservatórios vizinhos.
Essa dependência torna a operação especialmente vulnerável a períodos de estiagem. Quando os níveis de água caem, as autoridades podem impor restrições ao calado das embarcações, limitando a quantidade de carga transportada e reduzindo a capacidade de tráfego da rota.
O tráfego no Canal do Panamá voltou a crescer em 2026. No fim de maio, uma média de 38 embarcações cruzava diariamente a hidrovia, um aumento de 8% em relação ao ano anterior e um volume próximo da capacidade máxima do canal, segundo o Conselho Marítimo Internacional e do Báltico (Bimco), a maior associação mundial do setor de transporte marítimo.
Nas cinco semanas seguintes ao início da guerra entre Israel e Irã, o volume de cargas transportadas pelo canal cresceu 16% na comparação anual, informou a entidade.
Com a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente, tornando-se mais incerta em razão do conflito, compradores asiáticos passaram a recorrer com mais frequência ao petróleo bruto e aos combustíveis refinados produzidos na Costa do Golfo dos Estados Unidos.
O aumento do fluxo de cargas pelo Canal do Panamá levou ao crescimento das filas, a uma disputa mais acirrada por vagas de trânsito e a tarifas recordes para travessias prioritárias. De acordo com a imprensa internacional, algumas empresas estão pagando milhões de dólares em leilões para garantir uma passagem mais rápida.
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