'Descaso e desvalorização': o que Fla deixa de ganhar dos russos com Plata
E além da frustração de não receber os R$ 72 milhões à vista que seriam pagos pelo equatoriano, o termo desvalorização diz respeito também ao enredo da situação, em si.
O número é a parte "fria" da história. Há componentes de imagem que se dão em cenários nos quais jogadores são recusados por um novo clube após exames médicos.
A postura do Dínamo Moscou aponta um suposto problema que pode fazer despencar o valor de Plata no mercado.
Plata ainda é relativamente jovem (25 anos) e o Fla vê potencial de venda futura, mesmo que o cenário de momento seja o retorno ao elenco comandado por Leonardo Jardim.
Por isso o Flamengo foi tão incisivo ao negar qualquer situação grave e recente com o jogador.
O fato de a mesma coisa ter acontecido com Matheus Martins, do Botafogo, serve de ajuda mútua para a dupla de rivais cariocas, na tentativa de demonstração ao mercado de que não há problema com os jogadores.
Outro componente de desvalorização é que o Flamengo viu um clube russo descartar um dos seus jogadores que foram convocados por sua seleção para a disputa da Copa do Mundo.
Em jogo, estavam duas operações relevantes para as realidades que os dois vivem.
E não é porque o Flamengo teve faturamento bilionário que pode desprezar o impacto imediato de R$ 72 milhões, valor acertado inicialmente para vender Plata aos russos. No caso do Botafogo, a operação de Matheus Martins estava na casa dos R$ 42 milhões.
Para o Fla, a volta de Plata pode ser até uma boa notícia, tecnicamente falando. No processo de negociação, chegou a haver um debate sobre abrir mão de um jogador titular com frequência.
Mas o cancelamento da negociação na Rússia veio no dia em que o Fla confirmou as contratações da dupla Joaquín Freitas e Anthony Valencia. O segundo, inclusive, esteve com Plata na Copa 2026 e chegou com o carimbo de substituir o compatriota.
As duas operações custaram, juntas, na casa dos R$ 78 milhões. Mas diferentemente da então venda de Plata, que seria recebida à vista, o Flamengo engatilhou parcelamentos com River Plate e Royal Antuérpia, de onde vieram Freitas e Valencia, respectivamente.
O Flamengo já contava com esse dinheiro da saída de Plata para reforçar o caixa de imediato.
O clube também vivia expectativa de reduzir a distância entre o que gastou e o que vendeu com jogadores na temporada. Agora, a diferença de entradas e saídas, na contabilidade, aumentou.
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