Renda do trabalhador se aproxima do salário mínimo em sete estados do Nordeste, diz estudo
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Após um longo período de forte valorização, o salário mínimo praticamente se confunde com os ganhos da maioria dos trabalhadores do Nordeste e representa 65% da renda típica do Brasil, a sexta maior proporção entre 34 países, mostra um estudo do IMDS (Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social).
O levantamento reacende um debate antigo entre economistas: para alguns, o aumento acima da inflação no piso nacional é pouco eficaz no combate à pobreza e pode estimular a informalidade; para outros, a política de valorização do mínimo possui um papel decisivo na redução da desigualdade brasileira .
Segundo cálculos do IMDS, o salário mínimo equivale a quase 100% do salário mediano em Alagoas, Maranhão, Paraíba, Piauí, Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará. A mediana é o valor que divide os trabalhadores em dois grupos iguais: metade ganha menos e metade ganha mais. Diferentemente da média, ela não é distorcida por salários muito altos ou muito baixos.
Por outro lado, em entes da federação como o Distrito Federal (49%), Santa Catarina (52%) e São Paulo (57%), o mesmo mínimo, que hoje é de R$ 1.621 e deve ser reajustado a R$ 1.741 em 2027 , representa uma fatia bem menor da renda típica.
No mundo, o Brasil fica atrás de Colômbia, Costa Rica, Chile, México e Nova Zelândia e bem à frente de países como os Estados Unidos , onde a proporção é de 25%.
Para economistas do instituto, quanto mais essa relação fica perto de 100%, mais as empresas tendem a contratar trabalhadores informais, já que não percebem ganhos de produtividade (quanto cada trabalhador consegue produzir por hora trabalhada) ao pagar um salário que terá um custo maior com encargos trabalhistas.
Desde 2000, o salário mínimo aumentou 125,8% descontada a inflação do período. O piso nacional é reajustado pela inflação mais o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes, limitado a uma alta real de 2,5%.
É por isso que a proximidade entre o mínimo e a renda típica não é um dado estático: ela cresceu de forma expressiva desde meados dos anos 1990.
Segundo o levantamento, a proporção saiu de um patamar próximo a 40% naquele período e alcançou cerca de 70% ao final dos anos 2000, reduzindo-se desde então, mas mantendo-se em um nível elevado.
"É claro que a valorização do mínimo é positiva para os trabalhadores que o recebem, mas o problema é que, quando você aumenta o piso, isso tem consequências sobre a informalidade e sobre a política fiscal", diz Fernando Veloso, diretor de pesquisa do IMDS.
Como o piso nacional é referência para benefícios previdenciários e assistenciais, a cada R$ 1 de aumento, as despesas crescem acima de R$ 400 milhões, segundo dados do Ministério do Planejamento. Devido ao peso eleitoral e nas contas públicas, o assunto é tema das campanhas presidenciais.
Em entrevista à Folha nesta semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, escalado como porta-voz econômico da campanha do presidente Lula (PT), disse que uma mudança no reajuste real do salário mínimo "não está em discussão" .
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