PF aponta R$ 80 milhões em emendas destinadas a Belford Roxo na gestão Canella
A Polícia Federal (PF) identificou R$ 80 milhões em emendas de comissão indicadas pela liderança do União Brasil na Câmara dos Deputados e destinadas a Belford Roxo, na Baixada Fluminense, durante a gestão do ex-prefeito Márcio Canella, preso nesta quinta-feira.
Segundo os investigadores, os recursos foram registrados como “emendas de liderança”, sem identificação nominal dos parlamentares responsáveis pelas indicações.
A informação consta da representação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) que embasou a decisão do ministro Alexandre de Moraes de decretar a prisão preventiva do político, no âmbito da Operação Unha e Carne.
Unha e Carne: Ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella e ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim são presos pela PF Investigação: PF afirma que Márcio Canella é ‘patrono político’ e ‘articulador’ de organização criminosa ligada ao Comando Vermelho No celular de Canella, os investigadores também encontraram uma anotação de agenda com os dizeres “Emendas / 20 Pedro 20 Mota”, associada pela PF aos nomes dos deputados federais Pedro Lucas Fernandes (União) e Gabriel Mota (União).
O registro, reproduzido na representação policial e na decisão de Moraes, é apresentado como um dos indícios da atuação política atribuída ao ex-prefeito.
Os documentos, no entanto, não esclarecem o significado dos números que acompanham os nomes nem comprovam que os parlamentares mencionados tenham sido responsáveis pela indicação dos R$ 80 milhões.
O trecho consta da página 48 da representação da Polícia Federal, que relaciona as emendas à articulação política de Canella.
No documento, os investigadores afirmam que os recursos foram registrados sem identificação nominal dos parlamentares indicantes e fazem uma comparação com o padrão descrito em reportagens sobre um esquema investigado pela corporação envolvendo Valdemar Costa Neto, presidente do PL.
A referência, contudo, não demonstra ligação entre os casos.
Prisão de Canella e Amim: veja como funcionava esquema de lavagem de dinheiro em postos que movimentou R$ 7,6 bilhões, segundo a PF A anotação encontrada no celular do ex-prefeito também aparece na decisão de Alexandre de Moraes, assinada na terça-feira.
Ao analisar os elementos reunidos pela PF, o ministro reproduziu a imagem do registro com as referências a “Emendas”, “Pedro” e “Mota”.
Segundo a decisão, a contextualização feita pelos investigadores reforçaria os indícios do protagonismo de Canella na sustentação política da organização criminosa investigada.
Apesar de identificar a destinação dos R$ 80 milhões ao município, a representação não detalha quais obras, serviços ou projetos seriam financiados com as emendas, tampouco informa quanto desse montante foi efetivamente repassado à prefeitura.
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