Um dia para além da pele
“A Literatura é um lugar onde aprendemos a olhar para o mundo”.
Esta foi uma das muitas frases inspiradoras que ouvi durante a programação do Fólio 2026.
Rodas de conversa, performances, leitura de contos, oficinas, concertos - um recorte no tempo para discutir desafios, criação, subjetividade e a urgência em defender a democracia.
Um dia a sentir a vida para além da pele.
Entre grupos de turistas fotografando vielas e ouvindo as observações dos guias, misturavam-se livros, escritores, café, crianças e idiomas.
A tradicional ginjinha no copo de chocolate e os pães e doces da Capinha de Óbidos atraíam os paladares que, nessa época do ano, transformam a vila em uma efervescente cidade literária.
É charmoso, às vezes tumultuado (muita gente em pequenos espaços), mas alentador.
Ao caminhar pelas ruas de pedras, vamos ouvindo aqui e ali pensamentos sobre o mundo, sotaques diversos de gente que se interessa por histórias - escritas, narradas, ficcionadas.
Pais que levam os filhos para fomentar o imaginário, jovens e suas inquietações que convidam a novos olhares, pessoas em idades diferentes com experiências em contextos de mais ou menos liberdade.
Um dos temas debatidos no festival foi a família.
A psicanalista Vera Iaconelli, em conversa com o autor português João Pedro Vala, explicou como o conceito de “família feliz” padece da ideia de que não existem “restos”, conflitos, divergências, violência.
Em seu livro “Análise”, Vera conta sobre a relação com os pais, a perda de irmãos e memórias de infância, alternando os papéis de analista e analisada.
A psicanalista revelou como escrever ajudou a ressignificar alguns mitos familiares.
Segundo Vera, falar da família promove um sentido de elaboração e, quando estamos em terapia, contamos a mesma história várias vezes, o que acaba revelando outras camadas de uma versão.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.