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África: esquecida até na guerra

Diário de Notícias ·

Quando começou a guerra na Ucrânia, assistiu-se no Parlamento Europeu, onde me encontrava, a um amplo movimento de solidariedade, especialmente com as mulheres ucranianas: discursos, deputadas vestidas de azul e amarelo, medidas de acolhimento e outras iniciativas – todas justificadas.

Porém, como sublinhei nessa altura, igualmente perto de nós, estavam as mulheres africanas, vítimas de guerras, raptos, violações e outras tragédias persistentes, como os casamentos forçados ou a mutilação genital feminina, sem que isso despertasse um movimento de solidariedade comparável.

De facto, segundo a UNICEF, cerca de 144 milhões de mulheres e raparigas em África já foram submetidas à mutilação genital feminina e os casamentos forçados e infantis continuam a ser práticas prevalecentes em países como o Chade, o Sudão ou a Somália, perante alguma passividade mundial.

O mesmo desinteresse se verifica noutros domínios.

As epidemias – como o ébola – geram alguma atenção internacional, talvez para evitar que ultrapassem as fronteiras africanas.

Ainda assim, mesmo nesse caso, a mobilização de meios tem sido menor, agravada pela saída dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde.

No entanto, são sobretudo os conflitos prolongados que constituem o maior flagelo em África.

Muitas vezes banalizados, raramente abrem noticiários ou motivam debates nos canais de informação, repletos de especialistas em Defesa para analisar a Ucrânia ou o Irão.

Uma exceção é a Rádio Vaticano, como relata Javier Cercas no seu excelente livro Um Louco de Deus no Fim do Mundo , que acompanha situações esquecidas através da sua rede de missionários.

Um dos casos mais dramáticos é o da República Democrática do Congo, onde ocorrem conflitos de intensidade variável desde a sua independência, transformando um dos países mais ricos de África num dos mais desgraçados e inseguros.

O mesmo sucede com a guerra interna no Sudão, que opõe as suas Forças Armadas às milícias das “Forças de Apoio Rápido”; as primeiras contam com o apoio do Egito, da Turquia e da Arábia Saudita; as segundas, com o dos Emiratos Árabes Unidos.

Vários especialistas defendem que, nas circunstâncias atuais – em que todos os apoiantes externos estão concentrados no esforço comum para resolver o conflito em torno do Estreito de Ormuz e preocupados com a sua própria segurança –, este seria o momento certo para procurar uma solução negociada para a “guerra esquecida” no Sudão, como lhe chamou recentemente The Economist .

Ainda que tal venha a acontecer, importa não ignorar que, entretanto, foram distribuídas armas por diversos grupos armados, associados a um ou a outro lado.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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