Prazo do memorando de entendimento expirou e retórica sobe de tom
O prazo limite decorrente do acordo assinado a 17 de junho esgotou-se esta segunda-feira, 17 de agosto, sem que tenha sido alcançado um tratado de paz definitivo.
Teerão desvalorizou o fim do prazo considerando-o “irrelevante” e afirmou que as negociações práticas nunca chegaram a avançar de forma esclarecida, devido a alegadas violações norte-americanas dos termos acordados.
Mas um alto representante do regime iraniano e responsáveis da Guarda Revolucionária do Irão afirmaram que o país decidiu alterar a sua política militar de estritamente defensiva para “totalmente ofensiva”.
O Irão deu um prazo de poucas semanas para que os Estados Unidos cumpram os termos acordados e ponham fim ao bloqueio naval.
Do seu lado, os Estados Unidos, através do presidente Donald Trump, adotaram uma postura de firmeza e ameaça militar, declarando esta segunda-feira que o Irão se deve “render” para pôr fim à guerra e sinalizando que o bloqueio naval norte-americano aos portos do país pode continuar de forma indefinida.
Ao cabo dos dois meses em que nada de positivo sucedeu, a perspetiva é agora de escalada: com o impasse e o culminar deste período, analistas e autoridades apontam para um cenário de maior incerteza e potencial subida da tensão militar e económica no Médio Oriente e no Estreito de Ormuz.
Apesar do tom beligerante de Trump, diplomatas e mediadores do Paquistão indicam que os canais secundários estão a tentar fixar um novo período de extensão para o cessar-fogo, de forma a impedir o regresso imediato aos combates em grande escala no Médio Oriente.
Em paralelo aos esforços nacionais do Qatar e do Paquistão, relatórios que surgiram na imprensa internacional indicam tentativas de exploração de um canal indireto norte-americano com fações da Guarda Revolucionária iraniana (a envolver responsáveis curdos no Iraque) para contornar bloqueios políticos do executivo em Teerão.
Mas, na retira – e nos ouvidos – de Teerão estão as bizarras palavras de Trump, este fim-de-semana, segundo as quais planeia declarar o Estreito de Ormuz como território dos Estados Unidos, e “muito em breve”.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros para Assuntos Jurídicos e Internacionais do Irão, Kazem Gharibabadi, afirmou publicamente que o canal “não pode ser apropriado com um tweet , nem com um porta-aviões, nem por decreto, nem num comício eleitoral”, sublinhando que o estreito “foi, é e continuará a ser iraniano”.
A União Europeia manteve-se calada.
O bloco encara com profunda preocupação e ceticismo a retórica de Donald Trump sobre a anexação do Estreito de Ormuz, alertando para a total falta de validade jurídica internacional da proposta e para o risco de rutura na coesão do bloco ocidental.
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