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Irão avisa EUA: "Pressão e ameaças" podem fazer descarrilar diplomacia

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Irão avisa EUA: "Pressão e ameaças" podem fazer descarrilar diplomacia

"A falta de garantias" de que Washington cumprirá o memorando de entendimento alcançado em junho, "bem como o regresso a uma política de pressão e ameaças, correm o risco de fazer descarrilar o processo diplomático", afirmou Pezeshkian.

O chefe de Estado iraniano falava durante a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), no Quirguistão, que reúne, entre outros, os presidentes russo, Vladimir Putin, chinês, Xi Jinping, e turco, Recep Tayyip Erdogan.

Pezeshkian garantiu que o Irão retomará imediatamente o cumprimento dos compromissos assumidos para terminar o conflito caso Washington faça o mesmo.

"Afirmo explicitamente que, se os Estados Unidos regressarem aos seus compromissos no âmbito do memorando de entendimento (...), a República Islâmica do Irão tomará imediatamente medidas recíprocas", declarou o líder iraniano.

Teerão e Washington assinaram, em meados de junho, o chamado Memorando de Entendimento de Islamabad, destinado a pôr fim às hostilidades iniciadas no final de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irão, nos quais morreu o então líder supremo iraniano, ayatollah Ali Khamenei.

O entendimento começou, contudo, a desmoronar-se no início de julho, com o retomar das hostilidades.

Após um mês de relativa calma em agosto, os Estados Unidos voltaram na segunda-feira a atacar no estratégico estreito de Ormuz, tendo o Irão respondido com ataques contra alvos norte-americanos na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos.

Washington reforçou igualmente no final de agosto a pressão económica sobre Teerão, impondo sanções secundárias contra parceiros comerciais iranianos com o objetivo de aumentar o isolamento económico da República Islâmica.

Pezeshkian já tinha defendido na segunda-feira que a continuação da guerra contra os Estados Unidos não serve os interesses do Irão.

O Presidente iraniano deverá reunir-se com Putin à margem da cimeira da OCX, organização que celebra este ano o 25.º aniversário e através da qual Moscovo e Pequim procuram promover uma ordem internacional multipolar que contrabalance a influência ocidental.

"As novas estruturas regionais multilaterais (...) estão também organicamente integradas na arquitetura de um mundo multipolar, ao lado das Nações Unidas", afirmou hoje Putin, apontando a OCX como exemplo.

O Presidente russo deverá igualmente encontrar-se com Erdogan para discutir a guerra na Ucrânia, segundo o Kremlin, numa altura em que permanecem paralisados os esforços diplomáticos mediados pelos Estados Unidos para terminar o conflito iniciado com a invasão russa em fevereiro de 2022.

Putin e Xi reuniram-se na segunda-feira à margem da cimeira e elogiaram as relações entre os dois países, embora, segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, tenham abordado a guerra na Ucrânia apenas "superficialmente".

A OCX integra Bielorrússia, China, Índia, Irão, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão, Paquistão e Tajiquistão, contando ainda com 15 parceiros de diálogo, entre os quais Turquia, Arábia Saudita e Qatar.

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