Porto. 33% dos estudantes ponderaram não ingressar por motivos económicos
Um terço (33%) dos estudantes do Ensino Superior da academia do Porto "ponderou não ingressar ou abandonar o ensino superior devido a motivos económicos", concluiu um estudo avançado hoje à Lusa.
O estudo de opinião promovido pela Federação Académica do Porto, realizado no início deste ano letivo 2026-2027, com uma amostra de 275 estudantes da academia do Porto, revela que 33% dos estudantes inquiridos "ponderou não ingressar ou abandonar o ensino superior devido a motivos económicos", lê-se no documento ao qual a Lusa teve hoje acesso.
Com os resultados deste estudo, a FAP "exige que o elevador social seja a primeira prioridade do Governo" e evidencia que o "peso da origem socioeconómica" está a alavancar as desiguldades do acesso ao ensino superior".
"O ensino superior é o principal motor de mobilidade social do país, mas o elevador está a falhar a quem mais precisa dele.
O próximo Orçamento do Estado tem de garantir mais camas públicas, bolsas decididas a tempo e igualdade de condições no acesso.
Sem isso, o mérito continua a depender do código postal", disse Francisco Fernandes, presidente da FAP.
O estudo refere ainda que 43% dos estudantes de primeira geração familiar no Ensino Superior no Porto, ou seja os primeiros da família a ingressarem na universidade, ponderaram desistir dos estudos por motivos económicos, "frente a 26% dos restantes".
O custo da habitação é apontado como o "motivo central para ponderar a desistência por 89% dos novos estudantes que hesitaram em ingressar" e por "70% dos inquiridos que pensaram em abandonar os estudos.
Segundo a FAP, a resposta pública para alojamento estudantil é "insuficiente", com 66% dos estudantes candidatos a residência dos Serviços de Ação Social a não terem vaga e apenas 18% conseguiu alojamento.
A grande maioria dos estudantes deslocados não recebem qualquer apoio ao alojamento e "45% estão a pagar rendas superiores a 400 euros", acrescenta a federação.
A vulnerabilidade socioeconómica afeta de forma "desproporcional" os estudantes de primeira geração, que, segundo a FAP, representam 37% dos participantes no estudo de opinião promovido neste início do ano letivo.
"Sete em cada 10 destes alunos são bolseiros ou aguardam decisão, constituindo 73% do total de bolseiros inquiridos.
Contudo, a burocracia e os custos no percurso académico impõem fortes barreiras: no momento do inquérito, 40% dos participantes ainda aguardava uma decisão sobre a bolsa de estudo e 36% dos estudantes que já frequentavam o ensino superior admitiram ter faltado a aulas, avaliações ou outras atividades académicas por dificuldades financeiras.
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