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Guiné-Bissau nega rapto de jornalista e esclarece detenção

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Guiné-Bissau nega rapto de jornalista e esclarece detenção

"O Ministério do Interior e da Ordem Pública rejeita (...) as informações que davam conta de um alegado rapto do jornalista, classificando-as como falsas e sem correspondência com os factos", lê-se na página da Radio TV Bantaba.

De acordo com os meios de comunicação guineenses, o ministério declarou que "o incidente ocorreu durante o processo de contagem dos votos, na sequência de uma discussão entre o jornalista e o presidente da Mesa de Assembleia de Voto, relacionada com a validade de um voto considerado nulo".

Perante a situação, as autoridades foram chamadas a intervir, sendo que culminou numa discussão e na condução do jornalista até à 2.ª Esquadra de Bissau para prestar declarações.

Durante a audição foram encontrados na posse do jornalista crachás de identificação pertencentes a outra pessoa, segundo o ministério.

Contactada pela Lusa, fonte do Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (Sinjotecs) da Guiné-Bissau afirmou estar a acompanhar a situação junto da direção da Capital FM.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) manifestou hoje "profunda preocupação" pela "detenção arbitrária" de dois jornalistas da Rádio Capital FM, Sulai Seide e Nelson António da Silva, por, alegadamente, noticiarem informações sobre o referendo à Constituição.

Através de um comunicado, o Movimento Firkidja de Pubis condenou "veementemente o sequestro" dos dois jornalistas da Rádio Capital FM, "perpetrado pelas forças do regime" na Guiné-Bissau.

De acordo com o movimento, Sulai Seidi foi detido "sob alegações infundadas" de ter fotografado a baixa afluência às urnas durante o referendo constitucional e de ter apelado ao seu boicote.

Nelson António da Silva teria sido também "sequestrado após uma discussão" numa assembleia de voto, onde assistia à contagem de votos, referiu ainda o movimento.

Um porta-voz do Conselho Nacional da Transição (CNT) da Guiné-Bissau, Alberto Pinto Pereira, afirmou hoje que os cidadãos votaram a favor da entrada em vigor da nova Constituição do país no referendo de domingo.

Em conferência de imprensa, transmitida em direto pelos órgãos de comunicação social guineenses, Pinto Pereira observou que a convicção do CNT - que faz o papel do parlamento desde o golpe militar de 26 de novembro passado -, tem por base projeções apresentadas pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Os militares guineenses protagonizaram um golpe de Estado em 26 de novembro, um dia antes da publicação dos resultados de eleições legislativas e presidenciais, afastaram do poder o então Presidente eleito, Umaro Sissoco Embaló, e fizeram aprovar uma nova Constituição que reforça os poderes do chefe de Estado.

A oposição considerou que se tratou de um "golpe de Estado cerimonial" para permitir que Sissoco Embaló regresse ao poder através de novas eleições presidenciais e legislativas marcadas pelos militares para 06 de dezembro.

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