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Monárquicos de Portugal Erguei-vos

Observador ·
Monárquicos de Portugal Erguei-vos

Quando em 1910 foi implantada a República, Portugal era um país eminentemente monárquico, sendo também insofismável que por todo o país existia uma elite progressista republicana ruidosa. Foi exatamente por isso que aconteceu o Regicídio de 1908 e o 5 de Outubro de 1910. Os republicanos sabiam que nunca conseguiriam levar para diante as suas ideias pela via democrática. Até porque nas eleições de 28 de Agosto de 1910, dos 155 deputados, o Partido Republicano tinha conseguido apenas 14 lugares, ainda que tenham vencido nos principais centros urbanos e duplicado a sua representação face às eleições anteriores. Perante este cenário, não há dúvida nenhuma que o 5 de Outubro foi uma revolução profundamente antidemocrática.

No seu exílio em Fulwell Park, D. Manuel II rejeitou de forma sistemática a restauração da monarquia pela força das armas, embora tivesse uma atitude ambígua face às incursões de Paiva Couceiro e da Monarquia do Norte. Em vez do rugido dos canhões, D. Manuel defendeu a possibilidade da realização de um “plebiscito”, onde o povo português seria convidado a escolher entre um rei constitucional ou um presidente. Como é sabido os líderes da Primeira República nunca estiveram muito interessados na democracia. Pelo contrário, uma vez no poder, reduziram o universo eleitoral e trataram de condicionar fortemente a ação política dos partidos afetos à monarquia. Depois do 5 de Outubro, os monárquicos nunca tiveram a mesma liberdade de ação que tinham dado aos republicanos antes da revolução.

Temos de reconhecer que o regime do pós 5 de Outubro trouxe alguns avanços, mas na maior parte dos casos, esses avanços foram implementados apenas, porque concorriam para o desmantelamento do que restava das instituições monárquicas.

Nos dezasseis anos de vigência da Primeira República, esta esteve sempre mais focada na sua aceitação internacional e não no desenvolvimento do país. Exemplo disso, é a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial. Teve como objetivo a quebra do isolamento internacional a que o país estava votado, depois do bárbaro regicídio e da tomada ilegal do poder no 5 de Outubro. Paradoxalmente foi a participação nesse conflito e a tentativa desesperada de aceitação internacional, que ditou o fim do regime saído da revolução de 1910.

O regime que emergiu depois do golpe de 1926, assentou na existência de um homem providencial e nas forças armadas. Para poder governar com o apoio dos militares, Salazar aceitou repartir o poder com estes, entregando-lhes a Presidência da República. Por este motivo ficou inviabilizada a restauração da monarquia. É curioso que o regime nascido do 25 de Abril de 74, tenha adotado também esta estratégia para poder sobreviver ao ímpeto dos militares.

A constituição de 1976, em alguns aspetos, nega a própria essência do 25 de Abril. Nas comemorações do Dia da Liberdade, Portugal faz questão de cantar em uníssono a Grândola Vila Morena, mas esquece-se que os republicanos do pós 25 de Abril, fizeram questão de mostrar ao povo que este é quem mais ordena, mas só até onde a legitimidade revolucionária permite. Numa democracia plena quem mais ordena é sempre o povo.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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