Lufthansa fica com a TAP "de borla"? Governo desmente e esclarece
O Ministério das Finanças esclareceu, esta sexta-feira, alguns pontos sobre a escolha da Lufthansa para a privatização parcial da TAP, negando que se trate de um negócio em que a companhia aérea alemã fica com uma parte da portuguesa "de borla", como noticia o Correio da Manhã .
O Governo desmente a notícia porque "a Lufthansa paga 1.201 milhões de euros por 49,9% da TAP, mantendo o Estado Português a maioria do capital" e "porque a TAP é avaliada em quase 2,6 mil milhões de euros, quando a avaliação de setembro de 2024 colocava a empresa a valer, no máximo, 350 milhões".
Esclarece ainda a tutela que "uma empresa não vale apenas o que tem em caixa ou em prejuízos por reportar" e explica: "Uma empresa vale por aquilo que tem e por aquilo que deve. No caso concreto, o preço inclui também um compromisso de investimento em novos ativos, que só na frota, representam entre três e quatro mil milhões de euros".
O Correio da Manhã, refira-se, noticia que a Lufthansa vai ficar com a TAP "de borla", porque a companhia aérea da Alemanha vai pagar 1201 milhões de euros pela aquisição de 49,9% da TAP, mas a empresa portuguesa tem 1222,1 milhões de euros em depósitos e caixa e também 1042,6 milhões de euros em prejuízos fiscais, no conjunto do grupo.
Escreve ainda que estes valores "podem ser abatidos nos lucros da TAP nos próximos anos, não pagando assim um valor relevante em impostos".
Ora, o Governo elucida que a "proposta da Lufthansa para a TAP, que na 2.ª fase pode chegar aos 2.552 milhões de euros, é bem reveladora do valor global que é atribuído à companhia aérea, representando cerca de sete vezes mais o valor máximo que era atribuído à empresa nas avaliações de 2024".
Detalha também que a proposta da Lufthansa "coloca assim o valor da TAP praticamente igual ao da Air France em bolsa, uma empresa que tem 6 vezes mais aviões, e tem um efeito de valorização cerca de 80% superior ao utilizado pela Apollo na aquisição da easyJet".
Esclarece ainda o Ministério das Finanças que a "proposta da Lufthansa, numa 2ª fase, permite que o Estado Português seja acionista da 4ª maior companhia do Mundo, com rentabilidade futura segura" e conclui que a "proposta vencedora liga-se a outros investimentos igualmente relevantes para o país, que no seu conjunto ascendem a cerca de mil milhões de euros".
Na quarta-feira, o Governo português selecionou a Lufthansa para adquirir inicialmente 44,9% do capital da TAP, por um preço de referência de 1.025 milhões de euros, podendo a participação aumentar até 49,9% caso os trabalhadores não subscrevam a totalidade das ações que lhes estão reservadas.
O grupo alemão prevê concluir a operação no primeiro semestre de 2028, dependendo ainda da obtenção das autorizações regulatórias necessárias.
O grupo Lufthansa integra companhias como a Lufthansa, a SWISS, a Austrian Airlines, a Brussels Airlines e a Eurowings, além de deter uma participação na italiana ITA Airways, com centros de operações em Frankfurt, Munique, Zurique, Viena, Bruxelas e Roma.
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