AIMA lança programa para formar 500 pessoas para a construção até 2027
O programa surge num setor onde a contratação depende muitas vezes de experiência comprovada, disponibilidade imediata e capacidade de trabalhar em segurança. Para quem chega ao país, o obstáculo não é apenas encontrar uma vaga. É perceber que competências são reconhecidas, que documentação é necessária e como entrar num percurso que não comece por trabalho informal ou por uma sucessão de contactos sem contrato definido.
Segundo a AIMA, o programa será organizado em 25 grupos de 20 participantes. A previsão é de 300 horas de formação técnica e 300 horas de formação em contexto de trabalho. A deliberação que aprova o regulamento aponta para uma primeira fase até ao fim do primeiro semestre de 2027 e envolve entidades como o Instituto do Emprego e Formação Profissional, o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana e parceiros do setor.
Os números descrevem uma medida com escala limitada face ao mercado de trabalho total, mas com um desenho concreto. A formação em contexto de trabalho aproxima o programa da realidade de uma obra, onde a qualificação não se resume a uma declaração de interesse. O objetivo não é apenas transmitir uma técnica; é criar condições para que a entrada numa empresa seja feita com regras claras de segurança, horário e enquadramento profissional.
Na construção, saber fazer é o que conta, mas nem sempre cabe num currículo. O BizPliz!, o Novo Portal de Emprego de Portugal, permite criar um perfil que torna visível a experiência e a disponibilidade de cada trabalhador.
Há uma questão de mercado por detrás da iniciativa. A construção tem procurado trabalhadores em várias especialidades, mas a resposta não pode assentar apenas em aumentar o número de pessoas disponíveis. Uma contratação sustentável exige que o salário, o local da obra, o transporte, os equipamentos de proteção e o tipo de contrato sejam entendidos antes do primeiro dia. Quando essa informação falha, a integração torna-se mais frágil e a rotação aumenta.
Para as empresas, receber trabalhadores por via de um programa estruturado pode reduzir parte da incerteza inicial, desde que a formação corresponda às funções pedidas. Para os participantes, a diferença entre uma oportunidade e uma situação de vulnerabilidade passa pela possibilidade de comparar condições e de saber quem será a entidade empregadora.
O resultado do programa terá de ser medido mais tarde: quantas pessoas concluíram a formação, quantas entraram em contexto de trabalho e quantas mantiveram um vínculo após esse período. Sem esses indicadores, só será possível avaliar a intenção da medida, não o seu impacto.
A execução do programa começa a ser o próximo teste: a AIMA e os parceiros terão de divulgar adesão, conclusão e integração efetiva dos participantes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.