Quase metade dos adultos em situação de pobreza em Portugal trabalha
Lisboa, 15 out 2026 (Lisboa) – Quase dois milhões de pessoas viviam em situação de pobreza em Portugal em 2025 e cerca de metade dos adultos pobres tinha emprego, segundo um relatório da Rede Europeia Anti-Pobreza divulgado hoje.
"O emprego não constitui uma garantia face à pobreza, porque cerca de 47,6% dos adultos em situação de pobreza monetária estão plenamente inseridos no mercado de trabalho (33% por conta de outrem e 14,4% por conta própria)", segundo o relatório da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN, na sigla em inglês).
O relatório "Pobreza e Exclusão Social em Portugal 2026", elaborado pelo Observatório Nacional de Luta Contra a Pobreza da EAPN Portugal, revela que o país atingiu o valor mais baixo de pobreza ou exclusão social desde 2015, mas a diminuição contrasta com o agravamento da situação das famílias monoparentais e com o peso dos custos da habitação.
Este é um dos principais alertas do relatório divulgado a propósito do dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinala no próximo domingo.
Os dados indicam que em 2025 estavam em risco de pobreza ou exclusão social 18,6% (1 milhão e 995 mil pessoas) da população portuguesa e 15,4% estavam em situação de pobreza monetária, o que corresponde a 1 milhão e 660 mil indivíduos adultos que recebem menos de 723,25 euros por mês.
Por outro lado, no ano passado o risco de pobreza ou exclusão social "atingiu o valor mais elevado desde 2018 para as famílias monoparentais, depois de dois anos consecutivos de melhoria, referiu a organização".
O relatório apontou ainda a habitação como um dos fatores que "ajuda a compreender a distância entre os indicadores económicos e as condições de vida das famílias".
"Quando se descontam os encargos habitacionais aos rendimentos disponíveis, a proporção de pessoas abaixo do limiar de pobreza aumenta", explicou a EAPN.
O relatório mostrou também que as famílias com rendimentos abaixo do limiar da pobreza não são as únicas afetadas pela situação, uma vez que quase três em cada 10 pessoas no país não conseguem pagar uma despesa inesperada de aproximadamente 632 euros sem pedir um empréstimo ao banco.
"Uma avaria no automóvel ou uma despesa de saúde podem, por isso, comprometer um orçamento familiar que já não dispõe de margem para imprevistos", indicou a EAPN.
De acordo com o documento, o nível de pobreza é diferente entre as várias regiões do país, inclusive nas Regiões Autónomas.
Na Região Autónoma dos Açores, mais de uma em cada quatro pessoas está em risco de pobreza ou exclusão social e na Região Autónoma da Madeira, a proporção ultrapassa uma em cada cinco, segundo a organização.
A EAPN reconhece ainda a importância das prestações sociais na redução da pobreza.
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