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Macau escolhe crescer — e quem chegar cedo vai ganhar

Observador ·
Macau escolhe crescer — e quem chegar cedo vai ganhar

Macau decidiu não ficar refém do seu próprio sucesso. Enquanto o mundo continua a ver a região como a capital mundial do jogo, o Governo da RAEM acaba de apresentar o seu 3.º Plano Quinquenal (2026–2030) com uma mensagem clara: a próxima década será de crescimento diversificado, de integração na Grande Baía e de oportunidades para quem souber posicionar-se.

O documento, divulgado esta semana pelo Chefe do Executivo Sam Hou Fai, não é mais um exercício de retórica governamental. É um roteiro com metas, prazos e indicadores concretos, assente numa lógica que o próprio Sam Hou Fai resumiu sem meias palavras: “o sucesso consiste numa parte de planeamento e nove partes de execução”. Para quem olha para a Ásia com olhos de investidor, esta é a frase que importa.

A ambição é visível nos números. O plano fixa como meta que, até 2030, cerca de 60% do valor acrescentado da economia de Macau provenha de indústrias não relacionadas com o jogo. Traduzido: a região quer continuar a crescer, mas quer fazê-lo com menos dependência dos casinos e mais assente em tecnologia, educação, saúde, turismo cultural, economia criativa e serviços financeiros. Para um pequeno território, aberto e exposto a choques externos, isto não é apenas diversificação — é sobrevivência inteligente.

O motor deste novo ciclo chama-se Hengqin. A Zona de Cooperação entre Macau e Hengqin deixa de ser um projeto no papel para se tornar o laboratório onde se vão testar regras, atrair talentos e criar sinergias industriais em setores de futuro. O plano fala em “articulação de regras”, em infraestruturas partilhadas e em projetos emblemáticos que permitam a Macau exportar o seu know-how para um espaço com mais escala. Para quem conhece a Grande Baía, isto é música: Hengqin está desenhada para ser a extensão natural de Macau, com benefícios fiscais e regulatórios que a tornam particularmente atrativa para investidores externos.

A outra grande aposta é a renovação urbana. O plano prevê a aceleração da reabilitação de bairros antigos, como Iao Hon, e a revitalização de zonas históricas como as Ruínas de São Paulo, criando um regime jurídico e financeiro sustentável para transformar a cidade “por dentro”. Para o setor imobiliário e para fundos de investimento, isto abre uma janela de oportunidade em ativos com potencial de requalificação, num mercado onde a escassez de terreno é um dado estrutural.

Mas talvez o ponto mais relevante para Portugal esteja na reiteração do papel de Macau como plataforma sino-lusófona e hispânica. O documento volta a colocar o alargamento das funções e do conteúdo desta plataforma no centro da estratégia externa da região. Para empresas portuguesas com ambição asiática, Macau continua a ser a porta de entrada mais “ocidentalizada” na China: um espaço onde a língua, o direito e as redes de contactos facilitam a entrada num mercado que, de outra forma, seria muito mais difícil de navegar.

O plano não ignora os riscos. Macau é uma economia pequena, aberta e vulnerável a choques externos. A diversificação é, em parte, uma resposta à necessidade de reduzir a dependência do jogo e criar resiliência.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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