Ministro da Administração Interna anuncia auditoria a Secretaria do MAI e ao SIRESP
“Estou permanentemente disponível para – nos locais próprios – neste caso o Parlamento – para prestar todos e quaisquer esclarecimentos.
E é o que sucederá: prestarei declarações de uma forma transparente e tranquila”.
As palavras são de Luís Neves, ministro da Administração Interna (MAI), no final da tomada de posse do novo secretário-geral da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, o major-general Nuno Miguel Parreira da Silva.
Para já, o membro do Governo anunciou que instruiu os serviços para esta semana solicitarem “à IGF uma ampla auditoria à secretaria geral do MAI e ao Siresp”.
“Esta área tem de ser devidamente auditada e do ponto de vista do que é a legalidade”, vincou.
Ricardo Carrilho, demitido esta segunda-feira do cargo de secretário-geral do Ministério da Administração Interna por Luís Neves , acusou o ministro da tutela de “pressões ilegítimas” e “interferência política asfixiante”.
Num artigo de opinião que assinou no Expresso, fala ainda de “caça ao homem” e de “purga política”, tendo declarado ao Público que Luís Neves o pressionou “para cometer ilegalidades”.
Da demissão às acusações.
“Telenovela” no MAI em 7 episódios Ler Mais As acusações surgem depois de o Ministério da Administração Interna ter divulgado um comunicado a dar conta da “cessação do exercício de funções, em regime de substituição”, de Ricardo Carrilho.
A decisão foi enquadrada “na reorganização da Secretaria-Geral, com a preparação de uma nova estrutura orgânica e de procedimentos adequados às responsabilidades do Ministério”.
Três horas depois, o gabinete de Luís Neves deu conta da nomeação do major-general Nuno Parreira da Silva, comandante da Escola da GNR, para a mesma função.
“Em duas décadas de serviço público de primeira linha, nunca fui alvo de tantas pressões ilegítimas e de uma interferência política tão asfixiante como no período em que exerci as funções de secretário-geral, sob a atual tutela de Luís Neves”, disse Ricardo Carrilho.
Disse ainda que o “ verdadeiro ‘crime’ que ditou a minha sentença política foi justamente propor a extinção da SIRESP SA, uma empresa pública, que se transformou num sorvedouro de dinheiros públicos, e num intermediário burocrático de luxo.” E acrescenta: “A nossa auditoria interna provou que a SIRESP SA recebe do Estado uma indemnização compensatória média de 26 milhões de euros anuais, desde 2021, mas o custo efetivo do funcionamento da rede, não passa dos 14,8 milhões.” “Luís Neves pressionou-me para cometer ilegalidades” Ler Mais Segundo Ricardo Carrilho, os restantes 11 milhões de euros são “desperdício”, canalizados para “ordenados principescos” na administração, gastos “nunca explicados”, “assessorias de comunicação” e “rendas de escritórios luxuosos no Saldanha”, entre outras alegações.
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